The Pompéia Times

Olá mundo!

Março 8, 2008 · 1 Comentário

O título do post não é meu, é do WordPress. Este endereço me abriga a partir de agora. Fui recebido com um “Olá mundo!” (sem vírgula mesmo, mas com uma exclamação). Eu nunca tive a pretensão de escrever um post com “Olá mundo”. Parece coisa de blogueiro.

Sabe a definição do James Wood sobre alguns escritores ingleses? Vou adaptar para os blogs: “Um blogueiro é alguém que não faz nada de manhã e, à tarde, escreve sobre o que fez de manhã”. Eu não fiz nada de madrugada, escrevo, agora, de manhã: li trechos do discurso que o Obama pronunciou na semana passada. Isso é não fazer nada.

É um discurso bonito. Pede o aperfeiçoamento da União americana (eles são uma federação, se vêem até hoje como uma reunião de diversidades). Conclama ao entendimento. Nega o racismo do seu guia espiritual. Mantém o ritmo “Yes, we can” da sua campanha. Os oprimidos só vão se libertar quando libertarem o conjunto da sociedade. 

A campanha dele inteira é baseada em uma mistura difusa de (aparentes) boas intenções. Parece um escritor de auto-ajuda. Vamos tirar as tropas do Iraque rapidinho. Vamos unir esse país. Cantar “we are the world, we are the children”. A mensagem de Obama não é de esperança. É de conformismo. Uma sucessão de remendos. Cede a todo lado para deixar todo mundo feliz. Fala do valor do indivíduo. Mas ele propõe universalizar o sistema de saúde? 

Tirar as tropas do Iraque agora é entregar o país ao Irã. Ou criar um Afeganistão a la anos 80, com novos talebãns. Como unir um país que se divide eleição depois de eleição, com fundamentalistas religioso de um lado e liberais parricidas de outros (parricida no sentido de que relativizam tudo, tudo, até a sociedade que lhes permitiu nascer, a democracia liberal ocidental). Obama parece querer ser uma espécie de líder de torcida. “Eu digo U, eu digo S, eu digo A. U-S-A!”. Joga para as duas arquibancadas.

Os republicanos mais conservadores gostam dele porque seu discurso nega as contradições do país. Seu assessor econômico desmente em privado o que ele diz em público. Os democratas mais ricos querem se livrar de um complexo de culpa, elegendo um negro. Esquecem-se do óbvio: cor de pele não é critério. Não escolho um presidente pela sua cor. Escolho um presidente pelas suas propostas. Não escolho um bom personagem para ser presidente. Obama é um bom personagem. É difícil acreditar que será um bom presidente. Suas propostas para a América Latina, só para ser bairrista, são risíveis. Conclama a uma grande união dos grandes países. Ok. Só falta combinar com Chávez e Uribe.  

Pronto. Fui picado pelo mosquito da “dengue blogueira”. Fui pretensioso no título do post e escrevi de manhã sobre o que não fiz na madrugada. Agora vou tomar meu chá. Obama me deixa de mau humor. Voltarei a ele.

Categorias: Blog
Etiquetado: , ,