The Pompéia Times

BBB é melhor do que o Roda Viva

Março 26, 2008 · Deixe um comentário

Vou ficar com saudades do Pedro Bial. Ele parecia realmente triste com o final do BBB8. Eu fiquei de verdade. Bial disse que tiveram de prorrogar a votação em um minuto _ele quase ficou feliz por ter ganho um minuto a mais no programa. Eu também fiquei feliz com um minuto a mais de votação. Porque só dava empate. Nos estertores do espetáculo, Rafinha, o emo, bateu Gyselle, a cajuína, e se sagrou campeão da oitava edição do Big Brother Brasil.

Eu já falei. Vou repetir. O BBB é o melhor programa da televisão aberta brasileira. No mesmo horário, o Observatório da Imprensa, capitaneado pelo Alberto Dines, organizava um debate sobre o Conselho de Comunicação Social da Câmara. É um formato curioso de debate. Todos concordam entre si. É um debate de concordâncias. A disputa é sobre quem é capaz de concordar mais com o outro.

Na TV Câmara, uma deputada do Amazonas, Vanessa Grazziotin (do democrático PC do B, que denúncia o imperialismo norte-americano no Tibete, embora seja a China que mate os monges), explicava o sistema elétrico brasileiro. Ela dizia que o nosso sistema é bom, esse com hidrelétricas. Mas que também é ruim: temos de usar gás. E óleo. Mas o nosso sistema é bom. E ao mesmo tempo é mais ou menos. Eu gosto de pessoas assim. Elas me lembram o rapazola que ganhou do computador em 2001, o filme: uma seqüência de pensamentos ilógicos para derrotar as forças do mal.

Fui tomar minha limonada noturna, voltei ao Bial. Agora as cenas são do Marcelo. Dedo em riste. Sem essa de churumelas. Dois minutos para explicar. O doutor não tem muita paciência com frufru. Ou a Natália. Ela diz que o certo é usar camisinha. Mas que o bom é sem camisinha. É mais lógico que a deputada. Natália poderia ser deputada.

Voltei até a cozinha em busca de um pedaço de chocolate. Uma pena, perdi o vencedor do Oscar BBB8 de melhor atriz. Pego meu jornal e lembro que ontem foi dia de Roda Viva. O nosso mais tradicional programa de debates. É um lugar bastante interessante.

Você lê as feras no jornal. Fulano é um nefelibata. Siclano é um apedeuta. Vamos inaugurar o festival do tartufo nativo. No Roda Viva eles se comportam. Com açúcar com afeto. As perguntas são gentis. Eles concordam com os nefelibatas, os apedeutas e os tartufos. O programa tem evoluído bastante. Se o horizonte é a concórdia, o Amit Goswami é o entrevistado. Ele debateu com físicos a força do pensamento positivo. Muito didático. Ele quase disse que podia movimentar objetos com o poder de sua mente. Eu tenho certeza de que ele não precisou hipnotizar os debatedores.

Se a roda está viva, talvez esteja só respirando por aparelhos.

Enquanto isso, no BBB8 o Marcelo assumia que era gay e em seguida declamava “passo por uma fase hétero diante da beleza da Gy”, o Negão reclamava de preconceito racial, a ´Thati dizia que já tinha beijado homem e mulher ao mesmo tempo. Isso é um debate complexo, não o Jornal da Globo. O apresentador organiza um debate, digamos, sobre gás boliviano. O primeiro diz sim, o segundo também e o terceiro…. tchan tchan tchan tchan… concorda com os dois primeiros.

No BBB, um ameaça sair do país se o outro ganhar o programa. Debate-se o valor de uma amizade sincera. Grandes alianças. Rafinha quase namorou Juliana. Mas a mandou para o paredão. Ele não sabia, mas reeditava o alemão Bismarck e a política de alianças européias do século 19. Você flerta com um e com o outro. Os dois são inimigos entre si. Você promete aos dois que vai lutar ao lado deles. E trai os dois com um terceiro, mais forte. No caso, o Marcão.

A superioridade do BBB não é apenas sobre os programas da Globo e da Cultura. Na Record, tem sempre o Paulo Henrique Amorim. Ele é muito legal. Ele fala que existe o colonismo. Os colunistas que escrevem sentados no colo do patrão. Engraçado. Eu quase acho que ele virou evangélico na Record. Posso estar enganado. Ele também. Ele fez uma denúncia contra o Lula nos anos 90. Perdeu na Justiça. Bajulava o Fernando Henrique Cardoso. Hoje, chama o ex-presidente de Farol de Alexandria. E o Lula de “captain, my captain”.

Isso não seria tolerado no Big Brother. Thalita rompeu rapidinho com o Marcelo. Foi ao paredão e saiu com grande dignidade. Sem grandes conciliações. Acordos. Ou jeitinhos.

Agora tudo isso acabou. Não tenho mais quem me faça companhia qualificada na TV. Quem vai ficar falando enquanto eu preparo meu jantar? Ou digito alguma coisa no computador? Ou limpo meus sapatos? Ou jogo fora o lixo?

E aquela espiadianha? Acabou. Sorte do Roda Viva e do Jornal da Globo. A competição estava ficando humilhante. Agora é esperar o ano que vem. Tchau, Bial. Nos vemos no BBB9.

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