The Pompéia Times

Bloguismo, a doença infantil do jornalismo – 1

Março 27, 2008 · 1 Comentário

Jorge Preá é o  motivo da minha felicidade noturna. Aos 40 e poucos do segundo tempo, quando o último gole desce impávido, gol do Palmeiras na Lusa. Olho para a TV. Comemoro. Muito.

Chego em casa. Faça um sanduíche. Tomo chá de erva-doce. Ligo o computador. Passeio pelos blogs. Encontro o Juca Kfouri com aquele carão vaidoso. Ele comenta o jogo. Nada demais. Uma alfinetada (justa) no Denilson acolá, o erro do juiz contra a Lusa (justa crítica) aqui, a possibilidade de dormir líder até o final de semana. Concordo com tudo que ele escreveu. Mas continuou achando Juca Kfouri um demagogo óbvio demais.

Vejamos.

O blog dele é um torpedo diário pela moralização do futebol. Justo. Detesto o Mustafá Contursi. O Dualib é um picareta. Juvenal Juvêncio dá cavalos aos jogadores. E o presidente do Santos é o Marcelo Teixeira. Pois é.

Mas Juca Kfouri sofre do bloguismo, a doença infantil do jornalismo, muito antes da invenção dos blogs. Ele criou uma marca: a moralização do futebol. Criou um produto. Juca Kfouri. Distribui esse produto por canais variados. Segundo ele mesmo, com estas palavras, no maior jornal do país (Folha de S.Paulo), na rádio mais influente (CBN – mas como se mede prestígio de 0 a 10?) e na única TV independente (ESPN – se alguém souber o que é ”independente”, favor dirigir-se ao guichê). A fama veio depois que ele dirigiu a Placar, revista que tinha à época tanta importância quanto um bom blog hoje. Ele ganhou a fama de ousado e alternativo.

E vive disso até hoje. Ele era blogueiro antes do nascimento da internet.

O primeiro post do seu blog antes do comentário sobre o jogo do Palmeiras é intitulado “Caia de boca no apito”. A primeira frase:  “Mais uma vez, em vez dos jogos em si, as arbitragens é que estarão no centro das discussões em São Paulo depois dos dois clássicos de ontem”.

Essa é a primeira fórmula Juca Kfouri. Revestir notícia velha com o verniz de polêmica nova.

Mais para baixo, um post sobre a CBF. E depois uma série de copiar-colar de textos do jornal, textos de amigos e recomendação para que as pessoas acessem o blog do filho dele.

O que Juca Kfouri diria se Mustafá Contursi mantivesse um blog só com textos alheios e elogios ao próprio filho? A segunda fórmula Juca Kfouri. Uma boa rede de contatos e elogios mútuos. A terceira fórmula Juca Kfouri: insistir no assunto que lhe deu fama, a CBF. Pode não ser um assunto tão importante assim. Mas se a pessoa escreve tanto sobre isso, e se não for maluca, talvez convença as outras pessoas de que aquele assunto tem alguma relevância. Ele acertou em cheio.

Todas essas características do Juca Kfouri já estão presentes, diluídas, no jornalismo: a notícia velha revestida de polêmica nova, os amigos dos amigos, a notícia como marketing.  Só que em um blog o sujeito se entrega. Porque não tem ninguém para dizer: “Meu caro, isso é demais”. O ego explode. 

Até Juca Kfouri ter um blog, as pequenas doses dos textos dele nos jornais não pareciam tão caricaturais. Os comentários eram mais contidos. Era mais difícíl enxergar o excesso de marquetagem. Como o sujeito tem de escrever todo o dia, o retorno dos internautas é imediato, é venerado por anônimos, o próximo passo é acordar de manhã e dizer: “Olá mundo!” E ficar chateado se o mundo não responde: “Olá Juca!”

Por isso eu digo: Vai que é sua, Juca Kfouri. Porque eu nã vou.

Observação: Esse é o primeiro de uma série de posts contra os blogueiros chatos. Vou copiar o Juca Kfouri. Terei uma idéia fixa.

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