The Pompéia Times

O homem é mais terrível que os homens

Março 30, 2008 · 3 Comentários

O título desse post é inspirado em uma frase de G.K. Chesterton. O sujeito sabe das coisas. O texto completo: ”O homem é algo mais terrível que os homens; algo mais estranho”.

Eu acredito que certos livros foram escritos só para ter uma determinada frase, uma certa passagem, uma imagem. O livro dos Salmos, na Bíblia: “Meu coração derrete como cera no meu peito; posso contar meus ossos, as pessoas zombam da minha pobreza”. Divórcio em Buda, do Sandor Marái: “As palavras, que ontem ainda significavam algo, hoje apenas comunicam fatos”. A morte dos animais em “Desonra”, do Coetzee. O diálogo de Sherazade às avessas em “Ver: Amor”, do David Grossman. O “infeliz à maneira dos homens livres”, em “É isto um homem?”, do Primo Levi. Machado de Assis e o olhar de Capitu. Em tradução livre, “Se Deus não existe, tudo é permitido”, do Dostoiévski.

Eu também acredito que certas vidas podem ser resumidas, ou atingem seu apogeu, em umas poucas histórias, frases curtas. Uma amiga me contou sobre o casal que se conhece em uma briga de trânsito. Mas depois se separaram. Uma dúvida me assaltou nesse dia nublado e frio em São Paulo. Uma pessoa que joga pela sua janela a melhor história da sua vida imita o escritor mediano que corta de seu romance sempre as melhores frases que escreveu?

Categorias: Literatura
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