The Pompéia Times

O homem é mais terrível que os homens

Enviado em Literatura by Leandro Humberto em Março 30th, 2008

O título desse post é inspirado em uma frase de G.K. Chesterton. O sujeito sabe das coisas. O texto completo: ”O homem é algo mais terrível que os homens; algo mais estranho”.

Eu acredito que certos livros foram escritos só para ter uma determinada frase, uma certa passagem, uma imagem. O livro dos Salmos, na Bíblia: “Meu coração derrete como cera no meu peito; posso contar meus ossos, as pessoas zombam da minha pobreza”. Divórcio em Buda, do Sandor Marái: “As palavras, que ontem ainda significavam algo, hoje apenas comunicam fatos”. A morte dos animais em “Desonra”, do Coetzee. O diálogo de Sherazade às avessas em “Ver: Amor”, do David Grossman. O “infeliz à maneira dos homens livres”, em “É isto um homem?”, do Primo Levi. Machado de Assis e o olhar de Capitu. Em tradução livre, “Se Deus não existe, tudo é permitido”, do Dostoiévski.

Eu também acredito que certas vidas podem ser resumidas, ou atingem seu apogeu, em umas poucas histórias, frases curtas. Uma amiga me contou sobre o casal que se conhece em uma briga de trânsito. Mas depois se separaram. Uma dúvida me assaltou nesse dia nublado e frio em São Paulo. Uma pessoa que joga pela sua janela a melhor história da sua vida imita o escritor mediano que corta de seu romance sempre as melhores frases que escreveu?

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3 Responses to 'O homem é mais terrível que os homens'

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  1. Mauricio Savarese said, on Abril 1st, 2008 at 3:33 am

    Não lembro qual livro foi escrito por causa daquela idéia de que “tudo tem que mudar para que as coisas continuem sendo como são”. Enfim, seja lá quem for, deve ter vendido um montão.

  2. Vives said, on Abril 1st, 2008 at 2:35 pm

    Tem uma frase muito boa do “Quem Mexeu na Minha Fimose?”, do Henry Sobel, em que a mulher dele diz: “Mas benhê… porque você quer tanto passar na loja de gravatas aqui em Palm Beach?”
    Excelente o post.

  3. mirella said, on Abril 1st, 2008 at 8:52 pm

    sim!

    lindo post, humbertinho! :)
    eu acrescentaria ao rol (vc sabe, que eu ja te disse - mas é só pra registrar) o final do cidades invisíveis, do calvino.

    e adorei a indicação do divórcio em buda. avassalador, do jeito q eu gosto dos livros.
    bêjo. desnublemo-nos.

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