The Pompéia Times

Lema da semana

Abril 15, 2008 · 2 Comentários

Os seletos visitantes deste blog já repararam que ali no alto, embaixo da frase “Lema da semana”, este redator-in-chief lega aos ilustres convidados uma citação colhida com açúcar e com afeto de algum livro, revista, filme, qualquer coisa que passe pelas minhas mãos e pelos meus olhos .

A citação desta semana, pela crueza da percepção, vai aqui e lá. Não é necessariamente verdadeira. É apenas interessante. Como a música do Bob Dylan “Ain`t me babe” (aquela do “você está procurando por alguém / que nunca seja fraco / mas sempre forte / alguém que fechará os olhos por você / (…)/ não, não, não, não sou eu baby, não sou que você está procurando” e do Chico Buarque do “te perdôo por te trair”.

Eis a frase do escritor argentino Roberto Arlt no livro “El jorobadito y otros cuentos”.

“Cada mulher que passa na nossa vida nos oxida algo precioso por dentro. Possivelmente, cada homem que passa pela vida de uma mulher destrói nela uma faceta de bondade que outros deixaram intacta, porque não encontraram a forma de rompê-la.”

É muito bom poder confessar nossas fraquezas de uma maneira tão pungente.

 

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2008, o ano que não acabou

Abril 15, 2008 · 4 Comentários

Eu pensei em fazer um “tempo real do Roda Viva”, lance a lance. O jornalista Zuenir Ventura foi o entrevistado. Ele falou sobre 1968. Ele é autor do livro “1968, o ano que não acabou”. Como em todo Roda Viva, os participantes se digladiaram para ver quem concordava mais um com o outro. Ia ficar muito chato o lance a lance. O Roda Viva sobre 1968 foi previsivelmente decepcionante.

Gostei muito de “Os Sonhadores”, do Bernardo Bertolucci, filme que se passa em 1968. Eu o assisti em 2005, no Top Cine da Paulista, noite de fevereiro, dia chuvoso. Tinha 22 anos. Gravei a trilha sonora. Não é um filme sobre 1968. É a geração de 1968 tentando encontrar em alguns jovens daquela geração, dois meninos e uma menina, a suposta origem das pessoas da minha geração. Os personagens são hedonistas, falsamente politizados (maoístas de boutique),a menina lasciva na verdade é virgem, um dos meninos é misógino, passam o dia inteiro dentro de casa. Em 2005, alguns de nós tentamos viver o 1968 de “Os Sonhadores”.

Claro que não foi possível. Porque 1968 não foi o ano que não acabou. 1968 foi o ano que não existiu. Acho que foi simplesmente o melhor ano da vida de muitas pessoas que depois se tornaram bastante influentes: jornalistas, cantores, atrizes. Ou alguém acha que a libertação sexual chegou em Pirituba durante 1968? O Roda Viva, onde o entrevistado viveu 1968 e alguns dos entrevistadores também, reforçou essa impressão. Um clube da saudade, um grande “Cartola Clube”, como o belo clube da terceira idade na esquina da Paulista com a Brigadeiro.

Eu poderia escrever um livro chamado “1996, o ano que não acabou”. Ou “2003, o ano que não acabou”. Ou “2007, o ano que não acabou”. A única coisa que 1968 nos deixou foi um clichê de libertação sexual, liberalização das drogas, rock, participação polícia. E, claro, nos legou a expectativa de um dia ter saudade de alguma coisa que não vivemos. Em 2005 mesmo, desisti de 1968. Meu tempo me interessa. O Bertolucci reconhece isso. Se ele fizesse “Os Sonhadores” tomando como base o clichê de 1968, o Roda Viva sobre  1968, o filme seria muito mais chato: meninos do interior assustados com a ditadura, alguns turistas em Paris, gente reclamando que não menino não podia dormir com menina no quarto, centro acadêmico como única opção de lazer.

2008 é muito melhor. Mas meus filhos não vão achar isso. Tomare.

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