The Pompéia Times

Paulo Coelho e Mangabeira Unger

Maio 27, 2008 · 3 Comentários

Paulo Coelho e Mangabeira Unger estudaram no mesmo colégio, o Santo Inácio, no Rio de Janeiro. É uma escola de elite, dos jesuítas.

Os dois freqüentaram o Santo Inácio na mesma época. O Coelho só tirava dois, três, era um dos piores alunos. O Mangabeira levava todas as medalhas. Era o nota 10.

Um virou escritor de livros de auto-ajuda mística, foi lido por presidentes. O outro, professor de Harvard e ministro, deu aulas para Barack Obama.

Estou tentando tirar alguma conclusão dessa conexão. Sugestões são bem aceitas. Qual a ligação entre os aquedutos levando água da Amazônia para o Nordeste e “às margens do rio piedra, sentei e chorei”? Qual o elo perdido entre a Amazônia ser uma fronteira da imaginação e “O Alquimista”?

Categorias: Literatura · humanidade
Etiquetado: ,

A grande frase do reitor de Indiana Jones

Maio 27, 2008 · Deixe um comentário

Entre um filme de arte e Indiana Jones, fiquei com o arqueólogo do chicotinho nesta segunda-feira à noite. Quando Homem de Ferro estreou, algumas semanas atrás, fui ao cinema em uma sessão das 14h. Eu era a única pessoa na sala dentro do grupo com idade superior a 10 anos e inferior a 30 (os pais das crianças abaixo de 10 anos). Vibrei com os três filmes do Homem Aranha. Não resisti a nenhum X-Men (meu amigo Fernando Vives tem constrangedoras histórias sobre isso).

Eu gosto, particularmente, das frases que ficariam ridículas no papel. Na verdade, eu sou obcecado por frases quase-perfeitas, aquelas que não teriam sentido em outro lugar senão naquele livro ou naquele filme exatamente naquele ponto. No Indy 4, o reitor, amigo do arqueólogo, olha para um Harrison Ford envelhecido, prestes a ser demitido da universidade, mas ainda hábil nas fugas impossíveis, e diz, antes de a aventura começar (por mais estranho que pareça, porque o Indiana Jones, a essa altura, já sobrevivera a uma bomba atômica abrigado dentro de uma geladeira revestida por chumbo): “Chegamos à idade em que a vida pára de dar e começa a tirar”. É ou não é uma grande frase para estar em uma série cujo último episódio foi ao ar em 1989 e que tem um herói com quase 60 anos? Serve ou não para várias situações vida afora? Tão grande quanto a de Homem Aranha Um: “Grandes poderes trazem grandes responsabilidades”.

Em um livro, soariam cafonas. À beira do mau gosto. Mas isso não é um livro. É um filme. É outro jeito de construir um mundo particular. Eu não gosto de ler livros de heróis porque heróis não foram feitos para serem lidos. Nasceram para viver em movimento, na tela grande. Da mesma maneira que não gosto de filmes que tentam copiar os bons livros, como os já clássicos iranianos e suas paisagens infinitas (imagine o dia em que um diretor brasileiro decidir gravar “Grande Sertão: Veredas”, do Guimarães Rosa? Serão as cinco horas mais insuportáveis da tela grande, mas o livro é muito bom). Os bons filmes de arte não tentam mimetizar a literatura. O negócio deles é forçar os limites de sua própria linguagem.

Indy 4 não é o melhor filme de herói que eu já vi. A mistura de índios, comunistas, Guerra Fria e alienígenas às vezes desanda (como o agente da KGB devorado por formigas gigantes). Ainda prefiro Homem Aranha Um. Mas entre ele e 2001, por exemplo, tendo a devotar mais interesses aos alienígenas de Indiana Jones 4. É a indústria cultural em estado de arte, não a indústria cultural fantasiada de pintor expressionista. Você tem tipos humanos estereotipados, mas mesmo assim guardam alguma relação com seres humanos. É um filme de poucas idéias e boas frases. Alguns sucessos do Espaço Unibanco também têm poucas idéias _ e imagens gravadas sem edição e frases sem conteúdo. O povo é inconfiável, ensinou Shakespeare em Julio César. Ao dar grandes bilheterias a Indiana Jones, contudo, acerta em cheio. Itaim Paulista 1, rua Augusta 0.

Categorias: Literatura · cinema
Etiquetado: ,