Um amigo meu, certa vez, ganhou um presente de Dia dos Namorados imaterial. Era fevereiro, bastante tempo antes da data oficial no Brasil e uma semana depois do dia em que se comemora São Valentim em outros países.
A namorada o pegou em casa durante um dia de folga e não revelou o destino. O comum, pelo que conheço deste meu amigo, seria ficar irritado, curioso, insistir até ela ceder e falar. Pelo que meu amigo me contou, naquele dia ele não fez nada disso e se deixou levar. Por quê? Palpites são aceitos _quando vocês conhecerem esse meu amigo.
Ambos seguiram a estrada, foram até uma cidade no interior de São Paulo e andaram sem pressa até chegar a uma cachoeira. Tiraram fotos em que os dois parecem muito felizes (ao menos essa é minha impressão). Depois, quiseram descobrir a nascente da cachoeira. Subiram de carro, rodaram, rodaram e rodaram até notar que estavam perdidos em meio à Serra da Mantiqueira. Ele pode ter mentido, e provavelmente não vai se revelar aqui neste blog, mas disse que o casal não ficou desesperado. Olhou para fora e seguiu o caminho, porque os dois tinham confiança de que iam chegar a algum lugar.
Eles estavam certos: aportaram em uma cidade no sul de Minas Gerais com chalés, chocolate e restaurantes italianos. Ainda tiveram a sorte de cruzar a cidadela na hora do almoço. Comeram, passearam mais um pouco, pegaram a estrada e voltaram para São Paulo. Lembrei dessa história porque almocei com esse meu amigo hoje e ele me contou esse caso mais uma vez. Ele, sempre radical contra os clichês, deixou se levar por um: às vezes a gente precisa deixar as coisas darem certo.
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Era sexta-feira à noite quando um ator cujo nome não me lembro prendeu Russell Crowe. Levou-o até sua casa, lhe deu comida (Crowe estava algemado) e lhe passou um sermão. Durante o trajeto até a estação de trem, para despachar o chefe de quadrilha, sobreviveu a ataques de índios, desviou dos tiros de pistoleiros, resistiu ao suborno oferecido pelo personagem de Crowe em “Os Indomáveis”, disponível em DVD. O mocinho é um paranóico que perdeu a perda durante a Guerra Civil Americana. Sua insistência é doentia. Você percebe claramente que ele não vai se dar bem. Ao mesmo tempo, nossa simpatia por Crowe cresce à medida que sabemos mais sobre ele.
O filme retrata um sujeito honesto e persistente como paranóico. Talvez seja verdade. Somos instados e postergar, procrastinar, atrasar, capitular para progredir, sobreviver, avançar, não sofrer, ter sucesso, vencer. A honestidade e a obstinação são os primeiros valores postos à mesa em uma negociação. Os relatos de alguns corruptos revelam pessoas que se acham corretas, mas apelam sempre a um bem maior para justificar seus atos. São indivíduos bem resolvidos com a sua consciência. O cinema absorveu esse argumento.
Em “O Poderoso Chefão”, filme da década de 70, por exemplo, Michael Corleone e Don Corleone têm noção dos seus crimes e se deixam consumir pela culpa (não me parece frugal que a personagem de Marlon Brando morra de um ataque do coração). Michael é um homem que se esfacela no filme. Eles esboçam um senso de sobrevivência quase primitivo, sem requinte: são crimes para preservar a família. Mas o filme continua mostrando crime como crime. O niilismo de Nietzsche, a apelação à falta de consciência galgou terreno em uma sociedade em que somos instados o tempo todo a ser criança, a não arcar com o peso das nossas decisões, a não ter responsabilidade individual. “Os Indomáveis” é uma versão western de alguns dos nossos dramas.
Por isso, sempre que alguém diz que tudo é relativo evocando “la famiglia” (sentido conotativo ou denotativo) ou algum político acusado de falcatrua é comparado ao “Poderoso Chefão”, a única coisa que eu penso é: camarada, menos.
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Atentem para as duas declarações em negrito. A primeira frase do ex-combatente é praticamente uma mistura de Forrest Gump com os poemas sexuais de Carlos Drummond de Andrade. A última frase, contudo, está à mais a Mario Quintana. Esse senhor poderia dizer: “eles passarão, eu passarinho”.
INGLATERRA: VETERANO DA I GUERRA MUNDIAL COMPLETA 112 ANOS
LONDRES, 6 JUN (ANSA) – Henry Allingham, veterano da Primeira Guerra Mundial e o homem mais velho da Grã-Bretanha, festeja nesta sexta-feira seu aniversário de 112 anos.
Questionado sobre sua fórmula de longevidade, Allingham brinca: “cigarros, uísque e mulheres fogosas”. Nascido em Londres em 6 de junho de 1896, quando ainda reinava a rainha Vitória, Henry testemunhou a passagem de 6 monarcas e 21 primeiros-ministros.
Além de ter sobrevivido a algumas das batalhas mais violentas da história — Yopres e Jutlândia –, Allingham pode também contar vantagem de ter feito parte do primeiro esquadrão da “Royal Air Force”, da qual é o único membro ainda vivo.
E é justamente por isso que Allingham irá festeja seu aniversário no “Royal Air Force College” de Cranwell, em Lincolnshire, onde estão previstos vôos comemorativos da “Batalha pela Grã-Bretanha” em um espetáculo dos pára-quedistas da RAF.
“Todos me perguntam como fiz, e eu digo que apenas sempre quis ver nascer o sol”, declarou feliz Henry Allingam. (ANSA)
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