The Pompéia Times

“o que é humanidade? e para onde ela vai?”

Junho 12, 2008 · 1 Comentário

Alguém chegou a este blog colocando a frase-título deste post no Google ou no Yahoo!.

Sinto informar. Nós (ainda) não temos a resposta. (risadas a la Pinky e Cérebro)

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Como o futebol nos encastela em Daslus particulares

Junho 12, 2008 · 1 Comentário

Eu me ufano de ser palmeirense. Gosto do meu estádio, o Palestra Itália. Meu time ganhou muitos títulos. Meu time foi o primeiro que subiu da Segundona para a Séria A sem virada de mesa. O técnico que passou pelo meu time fez o Brasil ganhar o penta _viva Felipão. Marcos, Arce, Antonio Carlos, Cleber, Roberto Carlos, Cesar Sampaio, Mazinho, Alex, Rivaldo, Edmundo, Evair, Velloso, Cafu, Roque Junior, Henrique, Junior, Flavio Conceição, Pierre, Djalminha, Zinho, Valdivia e Paulo Nunes jogaram no Palmeiras.

Dito isso, aos fatos. Tem sido muito difícil torcer ultimamente. Pelo menos, do meu jeito. Eu não tenho essa pretensão que já foi alemã, russa, japonesa, chinesa e ainda se esconde nos recônditos de todo o país (ou vocês acreditam na passividade da Áustria ou na recente humildade da Argentina?) de… (entonação Pinky e Cérebro) DOMINAR O MUNDO (caixa alta é maneiro para dar uma amostra do drama).

O futebol sempre foi um lugar propício para reunir chatos de toda espécie. Pessoas frustradas descarregam xingamentos e ofensas. Pessoas amarguradas se tornam obsessivas com um lance ou outro. Futebol é importante. Futebol é legal. Eu fico de mau humor quando meu time perde, lógico. Mas há algo muito ruim acontecendo recentemente.

Estamos remoendo e remoendo e remoendo os resultados, como se o passado não… passasse.  Os jogos estão se eternizado, provocam uma bolha de sentimentos que estouram aos poucos, passa a passo, e deságuam em violência. Eu quero levar, um dia, minha irmã para ver Palmeiras e Corinthians, Palmeiras e São Paulo, Palmeiras e Santos. Hoje, não dá. Desde o começo dos anos 90 que não dá. Dos mais pobres aos mais ricos, a violência verbal se tornou rotina. A física sempre é questão de tempo. Explode sem avisar. Não gosto de esperar pelo pior.

Meu palpite para o crescimento das qualidades negativas dentro do futebol não é nada científico. Nos últimos anos, muitos torcedores de futebol viveram um surto de arrivismo, o vencer a qualquer preço, fruto um pouco do espírito do tempo, da competição exacerbada que invade todas as esferas da vida, da lei na qual o mais forte sempre deve acabar com o mais fraco. Fisicamente, se possível.

Os argumentos se tornaram cada vez mais primitivos. Mesmo os colunistas esportivos que esbanjavam um pouco de bom senso se encastelaram em seus ódios e birras particulares. Os torcedores reagem contra eles. Vira uma pancadaria tendo a mídia, que é meio, como objeto.  Tudo se espalha internet afora. É um tiroteio, quase semiótico, generalizado, que transborda pouco a pouco para o mundo real.

Não comemoro mais derrotas de adversários futebolísticos publicamente. Entrei no meu condomínio particular. É uma pena ver o “Daslu way of secutiry” aplicado ao esporte do qual gosto tanto.

Categorias: Futebol
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Incursão ao mundo FAAP ou “tenho jeito de padre”

Junho 12, 2008 · 3 Comentários

Avenida Pacaembu, 10h, quarta-feira, 11 de junho. Uma moça veste calças coloridas, verão de 1969, Woodstock.
- Oi, você também estuda na FAAP?
O rosto dela não era o da Janis Joplin.
- Não, por quê?
Ela me chama para fora do ponto de ônibus. Alguns operários estavam sentados, talvez esperando o coletivo, conversando. Sujos, maltrapilhos, personagens de John Steinbeck em “Vinhas da Ira”.
- Esse ponto é muito perigoso. Você vai para a Paulista?
- Vou, preciso pegar outro ônibus lá para ir ao trabalho.
Olho ao redor. Adiante, o estádio do Pacaembu, escritórios de advocacia, polícia. O sol alto.
- Você faz o quê?
- Sou jornalista.
- Não a-cre-di-to!
Nem eu.
- Por quê?
- Eu faço publicidade na FAAP e estou odiando. Sempre quis ser jornalista. Vou trancar a matrícula e prestar Mackenzie.
- É mesmo?
- É, as meninas da FAAP são muito patricinhas. Se tem um bar que vende cerveja a dois reais e um que vende a mesma cerveja por quatro reais, elas vão no bar que vende por quatro reais. Vê se pode?!
- É um absurdo mesmo.
- No dia das mães, as meninas compraram presente na Daslu. Não tenho nada contra a Daslu, mas a Daslu é, assim, meio Daslu. As meninas da minha sala são legais, mas elas vão ficar assim também, comprando na Daslu no futuro. Todo mundo muda no quinto semestre.
Passa o ônibus, o Ana Rosa. Entramos juntos. Ela continua a discorrer sobre a diferença entre as meninas da turma dela e as das outras salas. 
- Me fala uma coisa, jornalista trabalha muito?
- Bem, depen…
Ela me interrompe mais uma vez.
- Estou preocupada em como vou falar para o meu pai que vou trancar a FAAP. Ele paga R$ 2,5 mil de faculdade. Mas ele tem que entender que é o meu futuro.
- É verdade.
- Você faz fotografia na faculdade?
- A gente tem uma aula.
- Você trabalhou em que jornais, revistas?
- Eu era repórter de política.
- Ah, não gosto de política. E foto? Você tinha de tirar foto? Saia muito para a rua?
Eu até tento responder, mas ela continua falando e fazendo perguntas, com planos para o futuro, até o momento em que nos separamos na frente do Conjunto Nacional.
- Tchau, vou pegar o ônibus para o Butantã.
- Por que não pega na Rebouças?
- É que eu não moro bem no Butantã.
- Onde é? Perto de Osasco?
Ela anda e vai embora. Eu tomo meu café ali, ao lado do banco, pensando: realmente, devo ter jeito de padre confessor.

***
Grand Finale

22h, Drogasil da rua Teodoro Sampaio, 11 de junho.
Compro o protetor solar, a moça me pergunta se tenho cartão Drogasil. Digo que sim, passo meu número. Sai uma nota fiscal imensa.
- Você tem 25 pontos.
Silêncio.
- Com 180 pontos, você ganha um CD do Leonardo.
Rimos, os dois envergonhados.

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