Eu me ufano de ser palmeirense. Gosto do meu estádio, o Palestra Itália. Meu time ganhou muitos títulos. Meu time foi o primeiro que subiu da Segundona para a Séria A sem virada de mesa. O técnico que passou pelo meu time fez o Brasil ganhar o penta _viva Felipão. Marcos, Arce, Antonio Carlos, Cleber, Roberto Carlos, Cesar Sampaio, Mazinho, Alex, Rivaldo, Edmundo, Evair, Velloso, Cafu, Roque Junior, Henrique, Junior, Flavio Conceição, Pierre, Djalminha, Zinho, Valdivia e Paulo Nunes jogaram no Palmeiras.
Dito isso, aos fatos. Tem sido muito difícil torcer ultimamente. Pelo menos, do meu jeito. Eu não tenho essa pretensão que já foi alemã, russa, japonesa, chinesa e ainda se esconde nos recônditos de todo o país (ou vocês acreditam na passividade da Áustria ou na recente humildade da Argentina?) de… (entonação Pinky e Cérebro) DOMINAR O MUNDO (caixa alta é maneiro para dar uma amostra do drama).
O futebol sempre foi um lugar propício para reunir chatos de toda espécie. Pessoas frustradas descarregam xingamentos e ofensas. Pessoas amarguradas se tornam obsessivas com um lance ou outro. Futebol é importante. Futebol é legal. Eu fico de mau humor quando meu time perde, lógico. Mas há algo muito ruim acontecendo recentemente.
Estamos remoendo e remoendo e remoendo os resultados, como se o passado não… passasse. Os jogos estão se eternizado, provocam uma bolha de sentimentos que estouram aos poucos, passa a passo, e deságuam em violência. Eu quero levar, um dia, minha irmã para ver Palmeiras e Corinthians, Palmeiras e São Paulo, Palmeiras e Santos. Hoje, não dá. Desde o começo dos anos 90 que não dá. Dos mais pobres aos mais ricos, a violência verbal se tornou rotina. A física sempre é questão de tempo. Explode sem avisar. Não gosto de esperar pelo pior.
Meu palpite para o crescimento das qualidades negativas dentro do futebol não é nada científico. Nos últimos anos, muitos torcedores de futebol viveram um surto de arrivismo, o vencer a qualquer preço, fruto um pouco do espírito do tempo, da competição exacerbada que invade todas as esferas da vida, da lei na qual o mais forte sempre deve acabar com o mais fraco. Fisicamente, se possível.
Os argumentos se tornaram cada vez mais primitivos. Mesmo os colunistas esportivos que esbanjavam um pouco de bom senso se encastelaram em seus ódios e birras particulares. Os torcedores reagem contra eles. Vira uma pancadaria tendo a mídia, que é meio, como objeto. Tudo se espalha internet afora. É um tiroteio, quase semiótico, generalizado, que transborda pouco a pouco para o mundo real.
Não comemoro mais derrotas de adversários futebolísticos publicamente. Entrei no meu condomínio particular. É uma pena ver o “Daslu way of secutiry” aplicado ao esporte do qual gosto tanto.
1 resposta Até agora ↓
Vives // Junho 17, 2008 às 1:31 pm |
Assino embaixo. A gente agora se divide em “os que torcem da mesma maneira”, e não em “aqueles que torcem para o mesmo time”. No fundo isso tem um propósito: é a única maneira de fazer o futebol ser uma celebração de amizade em tempos de idiotice exarcerbada.