Acordei pela manhã, tossi. Olhei a janela. Estava cheia de um pó preto colado ao vidro. Sabe aquele movimento automático? Fiz isso. Colei o queixo ao peito, para imaginar como está o meu pulmão.
Morar em São Paulo está se tornando cronicamente inviável. A não ser que nossos filhos sejam uma espécie muito evoluída, que não precise de pulmão, não vejo solução a longo prazo. Nem para o ar nem para o meu humor em um dia poluído. Tudo bem que o pôr-do-sol fica bonito, colorido. Mas, entre a cor e o meu pulmão… meu pulmão, claro, que, a essa altura, deve estar pior do que a minha janela.