Seis seleções européias e seis times brasileiros têm tudo a ver. Nestes dias difíceis, futebol é o único assunto sobre o qual me atrevo a escrever.
Palmeiras é a Itália: italianos fundaram o Palestra Itália, e isso já seria o bastante. Mas, além disso, italianos gostam de uma fila (a Itália ficou sem ganhar uma Copa do Mundo entre 1938 e 1982 e depois entre 1982 e 2006), perdem em casa (Copa do Mundo de 1990), são caóticos e tem uma torcida que só admite um estilo de jogo (Palmeiras, Academia, Itália, retranca). Adoram ganhar do São Paulo da Europa, a França, mas acreditam que o verdadeiro rival é a Espanha _principalmente porque os dois países têm as duas ligas de futebol mais importantes do planeta. O Palmeiras ganhou um Mundial em 1951, contestado, e a Itália forçou a vitória nas duas Copas da década de 30 com métodos, digamos, pouco ortodoxos.
Corinthians é a Espanha: sua torcida apaixonada e fiel admira a raça em vez da técnica e idolatra jogadores que não fariam sucesso em nenhum outro lugar, como Herrera, Raul, Mirandinha e Guardiola. A Fúria vai aos trancos e barrancos, tem boas categorias de base, alterna campanhas excelentes com nulidades esportivas e sempre é desclassificada nos momentos decisivos. Como o Corinthians, pertence à Série B das seleções européias _mas, ao menos, a seleção já ganhou um campeonato continental, lá em 1964.
São Paulo é a França: os tricolores orgulham-se do seu cosmopolitismo, do biquinho e da baguete. O principal jogador da história recente do São Paulo foi ídolo do Paris Saint-German. Desde a aposentadoria de Zidane (ou a saída de Danilo), não têm um meia decente. Eram praticamente nada em termos futebolísticos até os anos 90, quando faturaram o Mundial. Têm um currículo vitorioso que inclui Eurocopas e Olimpíadas, mas nunca conseguem encher um estádio.
Santos é Portugal: tiveram sucesso na década de 90 e no anos 2000. Nunca caíram, e o time ainda pode dizer que, ao menos, ganhou dois mundiais _em uma época em que eles não significavam tanto assim. São times, geralmente, de um jogador só: Pelé, Eusébio, Robinho, Cristiano Ronaldo.
Flamengo é a Alemanha: donos das maiores torcidas (a Rússia não conta), são odiados por todos os rivais porque tentam anexá-los o tempo inteiro (o Flamengo tem quase metade da torcida do Rio) e ganharam muitos títulos. Nos últimos anos, amargaram derrotas vexatórias para times ridículos. O Flamengo perdeu a Copa do Brasil para o Santo André e a Alemanha conseguiu perder da Bulgária em 1994. Também adoram perder em casa. O Flamengo, para o América pela Libertadores. A Alemanha, pela Itália na Copa do Mundo.
Botafogo é a Holanda: odeia o Flamengo, joga bonito, mas sempre perde no final. É a associação mais fácil depois de Palmeiras e Itália.
7 respostas Até agora ↓
Mauricio Savarese // Junho 17, 2008 às 6:36 pm |
Discordo. A Itália já foi campeã mundial. E a Espanha já foi campeã continental.
Luiz Raatz // Junho 17, 2008 às 8:16 pm |
E francês, assim como os sao-paulinos, tem um ‘jeito’
Stijntje // Junho 17, 2008 às 9:15 pm |
Você esquece de uma coisa: Holanda foi campeã em 1988. Sei que isso faz tempo, mas está na cabeça como se fosse ontem. E mais: em breve retornaremos.
Rafael // Junho 18, 2008 às 8:25 pm |
Parabéns a todos por este BLOG
vampiro brasileiro
Vives // Junho 18, 2008 às 11:09 pm |
Discordo. A *minha* Alemanha é como o Palmeiras de 93. Tem o El Matador Klose, o Animal Podolski, tem até o Capetinha Frings. A Itália, pela baixaria, é o Curíntias.
Glauco // Junho 19, 2008 às 3:31 pm |
Nas duas partidas em que o Santos venceu o Milan, em 1963, Pelé não jogou e o time ganhou. Na primeira, Pelé jogou e o Santos perdeu. Gilmar, Dorval, Mengálvio, Pepe, Coutinho, Pagão, Toninho Guerreio… Quanto a Robinho, jogava em um time com outros que até hoje integram a seleção, Diego, Alex, Elano… Dizer que é time de um jogador só é brincadeira.
antonio f sousa // Fevereiro 8, 2009 às 7:24 pm |
E a Englaterra?