The Pompéia Times

Os ricos, ou como a lei Rouanet é mais relaxante do que a Suiça

Junho 19, 2008 · 1 Comentário

A BBC publicou um texto hoje de manhã cujo título é “Homens metidos fazem mais sucesso com as mulheres, diz estudo”. Os pesquisadores defendem que a agressividade encanta, por razões biológicas que eu não me sinto confortável em explicar. Só em exemplificar.

Estava eu, às 10h50, com meus três pães de queijo e um mate batido em uma discreta Casa do Pão de Queijo na avenida Faria Lima, dois quarteirões para cima da rua Amauri. Sonolento, via pela janela carrões entre bananeiras, modelos entre macieiras, executivos entre pereiras, eita vida confortável, meu Deus. Ao meu lado, um rapaz não encontrava se remexia no sofá de couro fino.

Entra um homem de cabelos jogados para trás, calça jeans, blazer, camisa, jeito de quem acabou de sair do banho. O rapaz que até então ia para um lado e outro pára. O senhor x, como vamos passar a chamá-lo, lamenta o atraso. Diz que teve um compromisso profissional que lhe tomou mais tempo do que o previsto. O rapaz y quase pede desculpas por ele marcar em um horário que fez o senhor x chegar atrasado. O rapaz y apresenta seus projetos ao senhor x, os quais eu não consigo prestar atenção. Ele falava baixo, arrastava a voz como quem sobe uma duna no Ceará.

O senhor x começa sua exposição. Só faltou o PowerPoint. As cifras possuem as construções gramaticais com elegância e clareza. Ele discorre sobre os projetos de construção de condomínios de luxo no Nordeste, sobre como começou a carreira em um banco de investimentos, como diversificou os negócios.

O senhor x fala como alguém que deixa tudo acontecer naturalmente. Abriu o primeiro negócio com a ajuda de um cunhado que é presidente de uma grande empresa de cartão de crédito. Avançou com uma mãozinha de um primo.Conseguiu licenças ambientais em Mossoró pressionando deputados federais, vereadores, o prefeito. Ele fala sempre no mesmo tom de voz, manso, calmo, simpático, mas com entusiasmo e firmeza.

 Ele até escreveu um livro sobre zenbudismo que vai chegar às livrarias em dois meses com dinheiro da lei Rouanet. “Pude me dedicar ao livro por um ano e meio por causa da lei”, ouvi a frase com clareza, com tal regozijo que a lei pareceu melhor do que a Suíça. Ele descrevia o livro como um projeto de férias. O rapaz y foi se retraindo no sofá, como se as palavras o espremessem.

Eu também não agüentei tanto sucesso. Pedi a conta, sai. Eles ficaram lá, enquanto eu olhava para o céu azul e via um helicóptero pousar. O senhor x deve fazer muito sucesso entre as modelos que passeiam pelo Itaim. Ele tem aquele charme típido de quem é preso por uma operação da Polícia Federal, reclama das algemas e depois de cumprir cinco anos de pena em regime semi-aberto vende a sua história para a editora de algum amigo. 

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