Em uma semifinal, a Alemanha dos 6 milhões de judeus massacrados pelo horror nazista contra a Turquia, herdeira do Império Otomano que matou cerca de 1,5 milhão de armênios. Do outro, a Rússia de Stálin e gulags contra a Espanha de Franco e os massacres da Guerra Civil.
É a mesma Alemanha que tem em dois poloneses suas principais esperanças de gol, justo eles, do país no qual a Alemanha montou o campo de concentração de Auschwitz. A Espanha tem um governo que tenta liberalizar costumes e um técnico que convoca um negro, Marcos Senna, nascido no Brasil, para disputar a Eurocopa.
Agora, a Turquia e a Rússia…
A Turquia insiste em não reconhecer o massacre contra os armênios. A seu favor, ao menos, a resistência ao fundamentalismo islâmico, a separação (com vigor) entre Igreja e Estado e os dois jogadores nascidos na Alemanha, além de um brasileiro, em sua seleção. A Rússia é o inimigo a ser batido. A base do time é o Zenit, time que não contrata negros. O dono da equipe é o presidente do País. A Rússia é aquele País que sempre quer ser um império, não importa a cor da bandeira. Eu não gostaria de ver o Putin comemorando a conquista da Eurocopa.
Nesta semifinal, a Espanha é Mundo Livre S/A contra os presentes sombrios e os passados totalitários. Tem o apoio deste blog. Embora seja meio estranho gritar “Vai, Fúria!”
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12h03
O vento frio e forte supera o casaco que faz algum tempo não saía do armário.Quero chegar logo ao trabalho, mas não posso. O sinal está verde, está para mim. Mas o policial do Deic não deixa. Não é uma birra comigo e com as minhas olheiras.Nem com a simpática senhora nas cadeiras de roda. Nem com outro senhor que deixou o Lapa/Socorro comigo. O policial do Deic pára todo o trânsito. Os policiais estão armados. Algumas viaturas passam correndo. A sirene alta. Alguma perseguição. O corpo gela, mas não é do frio. Qualquer barulho. Você sabe que, em um estalo, se instala o pânico. É o momento antes da bomba e do tiro.
Mas não tinha nenhum bandido. Era escolta de autoridade.
14h47
Peço meu almoço. Quero um “risotto ai funghi”. Um polpetone também.O garçom me explica que o polpetone vem junto com o prato de penne. Eu digo que tudo bem, eu pago por um polpetone o preço de um prato com polpetone e penne (a inflação dos alimentos não chegou a esse restaurante, e tudo é estranhamente barato). Mas quero risotto e polpetone. Meu prato vem à mesa. O risotto, ok. O polpetone, junto com o penne. Não adianta recusar o penne. O polpetone e o penne vêm colados. Uma peça só. Penne e polpetone. Há dias em que até sua comida se revolta.
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