Meus tios sempre desconfiaram. “Esse menino gosta de carrinhos, não de carros.” Quando cresci, meus amigos zombavam da minha mania de andar a pé distâncias inferiores a mil metros. Ou da minha falta de vontade em tirar carta com 18 anos. Por não ligar em andar de ônibus ou metrô. Por não comprometer meus primeiros salários com prestações de um automóvel. Por nunca ter ficado irritado com um congestionamento.
Eu até tenho carta, mas não gosto de dirigir. Não costumo dizer isso assim, publicamente, a estranhos. Os músculos da face do interlocutor ou da interlocutora vão se contorcendo em expressões estranhas até o instante em que o constrangimento se esvai, as pessoas escapam e mudam de assunto. Só meus amigos mais íntimos sabem disso. É um segredo que não podia mais guardar comigo. Caro leitor, por favor, disfarce o seu preconceito. Eu sei que sou esquisitão. Você ainda quer ser meu amigo?
4 respostas Até agora ↓
claudinha // Junho 25, 2008 às 8:51 am |
(eu também)
shhh.
Helena Sthephanowitz // Junho 25, 2008 às 11:49 am |
Isso não é problema. Eu adoro dirigir. Principalmente em viagens de lazer, Monte Verde, por exemplo.
Ah, sim, se eu ainda quero ser sua amiga?
bjs Le
Luiz Raatz // Junho 25, 2008 às 6:25 pm |
Bicho, eu tenho carro, dirijo ocasionalmente, mas no dia a dia prefiro o metrô e distâncias até 2 mil metros. E já voltei várias vezes do iG a pé…
Mauricio Savarese // Junho 25, 2008 às 6:51 pm |
Tô fora. Isso é coisa de são-paulino.