The Pompéia Times

Meu chuveiro, o Zimbábue e os acessórios

Junho 25, 2008 · 1 Comentário

Está um frio de lascar em São Paulo. Eu preciso comprar um chuveiro novo. O meu está assim: se eu abro um pouco demais, ele esfria, se abro um pouco menos, ele esfria. Preciso encontrar um ponto mágico, para não passar frio, todo dia. E ele às vezes vai embora, só com a pressão da água que passa pela parede.

Essa é a razão individualista. A outra é porque nesse “intermezzo” vai muita água embora.

Não sou lá um sujeito muito afeito à onda verde. Acho que devemos cuidar do planeta para que a gente possa continuar vivendo neles, não para ter árvores para abraçar. Já zombei sem piedade de um sujeito que disse que as tartarugas merecem mais dinheiro do que os pobres da África, “porque os pobres da África vão continuar se reproduzindo, mas as tartarugas, não” (vejam a que ponto chegamos). Classifico Blairo Maggi e seu argumento de que devemos desmatar a Amazônia na categoria “pessoas que estão no lugar errado na hora errada, idéias que se escondem em frases pomposas”. Mas simplesmente porque a Amazônia não é um lugar para se fazer agricultura. De pé, a floresta é mais útil. Até para as pessoas que estão lá. Elas já sabem como fazer a floresta produzir. A regra é sempre a mesma: entre as árvores e as pessoas, as pessoas.

Hoje, as pessoas falam mais de árvores do que do Zimbábue, país em que os partidários de Mugabe, o ditador de plantão, quebram as pernas dos bebês para punir os pais, opositores. Mais, aqui. É um horror.

zimbábue

Mas ver tanta água indo embora assim, por nada, desperta o Al Gore e a Marina Silva que existem dentro de mim. Menos o Carlos Minc. Eu não quero prender o boi. Não sou um careca cabeludo. Não uso colete. Mas tenho um amigo que usa. Ele também não é fã do Carlos Minc assim. Ele prefere o Tévez.

Esse meu amigo, como eu, acha que, às vezes, a gente perde de vista o fundamental e se arvora no acessório. Os ambientalistas ainda têm um longo caminho a percorrer até se tornarem humanistas.

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1 resposta Até agora ↓

  • Mauricio Savarese // Junho 25, 2008 às 8:35 pm | Responder

    Faço a ressalva de que apoio incondicionalmente os coletes do Minc. Assim como apoio incondicionalmente ao Carlos mais importante, que logo será escolhido o melhor jogador do mundo. Isso é, se o mané do Alex Ferguson permitir.

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