Luiz Raatz e eu tivemos uma discussão via MSN sobre estigmas que atingem descendentes de alemães no Brasil e mundo afora. A história muito pessoal de Raatz torna a discussão mais interessante. Com autorização dele, copio o primeiro parágrafo do post. O texto completo, que recomendo, está neste link.
Além de descendente de alemães, o ex-editor de internacional do iG também é descendente de judeus. Este blog é pró-Estado de Israel (e contra os fundamentalistas do Irã, óbvio) e pró-Palestina (e contra os fundamentalistas de Israel, óbvio também). O texto de Raatz me fez refletir um pouco sobre o horror que essas duas afirmações, juntas, provocam quando o assunto “Oriente Médio” vem à tona em algumas rodas. O preconceito é um calçado confortável.
“Eu tinha 19 anos. Saí ‘em duplinha’ com um amigo, uma menina que ele tinha conhecido e a amiga dela. As duas eram judias. A guria que estava comigo surtou e virou a cara quando soube meu sobrenome: Raatz. Eu fiquei com cara de bunda. Afinal, sou brasileiro e não sou – nem nunca fui – racista. Meu tio-avô, uma das pessoas que mais amo no mundo,é filho de judeus russos. No entanto, esta sina sempre me perseguiu desde criança e me enoja. As pessoas me julgam pelo meu sobrenome, como se ele me definisse, apesar da minha família ser uma mistura de alemães, italianos, franceses e brasileiros. ‘Aquele é o Raatz, o descendente dos nazistas’.”
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A Unesco, neste link, tem uma curiosa compilação dos escritores mais traduzidos do mundo, como um todo, e país a país, desde 1932.
No Brasil, a autora mais traduzida é Barbara Cartland, que escrevia entre 6 e 7 mil palavras por dia. Na seqüência vem Agatha Christie e Joseph Murphy. Entre os 10 mais há Allan Kardec, Danielle Steel e Sidney Sheldon. O Italo Calvino é o 10º.
No Mundo, Walt Disney é o autor mais traduzido, seguido pela Agatha Christie, Julio Verne e … Lenin, que ganha de Shakespeare.
A lista mais legal, porém, é a da Argentina. É óbvio que Freud está entre os 10 mais (quando viajei para Buenos Aires, fiquei impressionado com o tamanho das áreas de psicanálise dos sebos e das livrarias). Mas sabe quem é o autor mais traduzido na Argentina? É um brasileiro, autor de livros místicos, José Trigueirinho Netto. Na lista dos 10 mais da Argentina também está o padre Zezinho, brasileiro, autor daquela música “abençoa, Senhor, as famílias amém”.
Pois é.
Observação: os autores linkados neste texto são aqueles dos quais nunca ouvi falar. É uma maneira de compartilhar a minha ignorância com vocês.
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Clérigo egípcio pede que fiéis rezem menos e trabalhem mais
Rodrigo Durão Coelho
Da BBC Brasil no Cairo
A preocupação com excessos na expressão de religiosidade por parte da população egípcia – que estaria afetando a produtividade do país – levou um importante clérigo a recomendar que as pessoas rezem menos e trabalhem mais.
“Rezar é algo bom… 10 minutos devem ser suficientes”, diz a fatwa, ou decreto religioso, de Sheik Yusuf Qaradawi, publicado em sua página na internet.
Apesar de parecer uma contradição – um religioso mandando seus fiéis rezar menos – a fatwa de Qaradawi foi elogiada por outros religiosos, que disseram que o Islã não se opõe à produtividade.
Um estudo do governo concluiu que os 6 milhões de trabalhadores estatais trabalham, de fato, apenas 27 minutos por dia.
Vitória na Eurocopa é comemorada com xenofobia na Alemanha
da Efe, em Berlim
As cidades alemãs de Dresden, Chemnitz e Hannover foram palco de várias demonstrações de xenofobia na noite desta quarta-feira, após a vitória da Alemanha sobre a Turquia pelas semifinais da Eurocopa.
A polícia informou que dois turcos ficaram feridos no ataque de um grupo de jovens radicais contra três restaurantes turcos de fast-food na cidade de Dresden.
Um grupo que tinha entre 20 a 30 pessoas destruiu uma parte da mobília de dois restaurantes turcos no centro de Dresden, enquanto outro estabelecimento ficou praticamente destruído.
Em seguida, o grupo atacou dois turcos que estavam trabalhando nos restaurantes e que ficaram levemente feridos. Os agressores também queimaram bandeiras enquanto vários curiosos assistiam aos ataques sem intervir.
…
E um texto que eu gostaria de ter escrito.
JANIO DE FREITAS
As raízes no seu chão
LIMITADA A umas poucas palavras, a atitude do Brasil em relação à nova lei da União Européia contra a permanência, em seus países, de imigrantes ilegais é uma forma de aceitação passiva e antecipada de problemas diplomáticos previsíveis. O que, além do mais, inclui descaso pelos dramas de cidadãos brasileiros sujeitos a tratamentos incompatíveis com um mínimo de respeito humano e civilidade.
Uma lei que autoriza a deportação de crianças desacompanhadas dos pais; permite deportação para país que não o de origem do imigrante e, entre mais violações à Declaração dos Direitos Humanos e à Carta das Nações Unidas, prescinde de decisão judicial para manter pessoas em cárcere por ano e meio, é uma lei com origens claras. Suas raízes mais fundas estão na Europa dos anos 30. Na idéia de direitos e poderes provenientes de pretensas superioridades raciais e nacionais. A idéia que fez o espírito do nazismo.
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