Desci a rua Augusta a 30 quilômetros por hora. Enquanto eu me esforçava para ler alguma coisa, via os carros parados, um atrás do outro, em disciplinada fila indiana que não parecia ter começo nem fim. E sofria com os gritos e mal criações de uma menininha insuportável.
Ela destratava a mãe com propriedade. Suas juras de “nunca mais quero falar com você se você não me der chocolate” e “sai daqui, chata” contrastavam com a aparência ovina da genitora. Óculos fundos, ar triste e aparvalhado. A menina falava como adulta. A mãe era acuada por seus destemperos.
Naquele mesmo dia, pela manhã, três crianças colocavam uma jovem mãe na roda no ônibus sentido Praça Ramos que peguei perto de casa. Gritavam ordens, chutavam a perna dela. Ela se comportava como uma esfinge. Impávido colosso. Eu gosto muito de crianças. Elas têm de ser protegidas delas mesmas. Crianças não são tartarugas para dispensar educação.
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