Um bom livro de um administrador de empresas

Eu, como muitos colegas-jornalistas que não cobrem negócios, não gostamos de livros de administradores de empresas. Abri uma exceção, e o nariz nem ameaçou torcer, quando comecei a folhear este livro que agora vos apresento. O nome é um português é ruim _”Derrubando mitos – Como evitar os nove equívocos básicos no mundo dos negócios”. Em inglês melhora um pouco: “The Halo Effect – and the eight other businesse delusions that deceive managers”.

Por incrível que pareça, apesar desse título, o livro é bom e é sério. O sujeito realmente entrega o que promete. Melhor: sem final feliz ou lição do tipo “você também pode!”. Não. Ao final desse texto, você terá uma idéia do que ele entrega. Vale não apenas para administradores de empresas.

O autor é Phil Rosenzweig, professor do IMD, na Suiça. A premissa do livro é que os administradores de empresas, os estudiosos de administração de empresas, os jornalistas que cobrem administração de empresas e as pessoas que gravitam pelo mundo dos administrados de empresa (ou seja, quase todo mundo, exceção aos artistas plásticos, que pensam até demais) acreditam em qualquer história que possa explicar minimamente os problemas do mundo, em um conjunto de frases simples e clichês. Renunciaram ao bom senso.

Ele analisa detalhadamente três empresas que adotaram exatamente a mesma estratégia: uma fracassou, a outra empatou e a outra cresceu. Depois, mostra como a saga de cada uma foi descrita por analistas de mercado e jornalistas. A Lego foi descrita como uma empresa que “se desviou da rota” e fracassou, ao mudar um pouco seu perfil de negócios, e a Nokia, como uma “empresa que expandiu seus horizontes”, ao fazer exatamente a mesma coisa, mudar de vida, mas conseguiu aumentar seus lucros.

Até os argumentos dos donos das empresas mostram o mar de confusão em que vivemos com o excesso de informações e conselhos e recomendações e promessas de sucesso. Querem que façamos tudo ao mesmo tempo agora. É claro que não vai dar certo. As pessoas estão, de fato, confusas sobre o que seguir. Até essas misteriosas pessoas chamadas capitalistas e que só trabalham com as cifras acima de seis zeros.

Eis um dos parágrafos do livro: “É claro que não gostamos de admitir quão pouco sabemos. O psicólogo social Eliot Aronson observou que as pessoas não são tanto seres racionais como seres racionalizantes. Queremos explicações. Queremos que o mundo à nossa volta faça sentido.  Podemos não saber exatamente por que a Lego deu com a cara no chão, ou por que a WH Smith enfrentou tempos difíceis, ou por que o Wal-Mart se deu tão bem, mas queremos sentir que sabemos o que aconteceu. Queremos o conforto de uma explicação plausível.”

E ele mostra que nem sempre isso é possível, retomando uma velha lição de Samuel Johnson, ensaísta inglês da era vitoriana que dizia que as pessoas fazem qualquer coisa para não ter de pensar por si mesmas (ele levava isso tão ao extremo que desancou um jovem autor chamado Shakespeare…).  Fica ai a indicação, para parafrasear um professor “meio maluquete” da faculdade.

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3 Respostas para “Um bom livro de um administrador de empresas

  1. Pois é, a gente quer muito entender este mundo sem explicações. Por isso temos nossas ciências tais como economia, matemática, biologia e teologia.

  2. (…)para um jornalista tu escreves muito mau!

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