O chão da minha sala está sujo. A janela está limpa, graças à última limpeza, tanto tempo faz. O banheiro precisa de revitalização. Ações paliativas já não bastam mais diante das manchas no azulejo. Olho para a louça da cozinha. Daqui a pouco, as formas de vida que se desenvolvem na minha pia vão puxar conversa.
Os livros, coitados, deitam um tanto abandonados. Revistas e jornais são devorados pelos assuntos de interesse, seletivamente. O dia se torna noite assim. Quando noto, acabou. O tempo escorre como naquele quadro de Salvador Dalí.
Vou copiar Macunaíma e dizer: “Ai, que preguiça”. Herói sem nenhum caráter. Não, não dá, agora não dá. As forças precisam vir de algum lugar. O tempo escorre por entre os dedos. Vamos nessa.
