The Pompéia Times

Chupa, Bernardinho

Julho 26, 2008 · 1 Comentário

O nacionalismo é uma boa maneira de justificar atrocidades. A Europa, por exemplo, era um grande Maranhão depois do fim do império romano: irrelevante, violenta e toda misturada (talvez com exceção da Islândia, que de tão isolada não tem nem palavra para tênis_eles usam algo como ”sapato de passeio”). 

Mesmo com o nascimento dos Estados nacionais, como Portugal e Holanda, até hoje as fronteiras dos países do Velho Continente são tão sólidas quanto gelatina no Piauí. Lembram do Kosovo? E Andorra? Países nascem e desaparecem. A Prússia era uma das principais potências do século 19. Hoje, não existe mais (deu lugar à Alemanha).

O exemplo vale para outra cultura de outro lado do mundo. O imperador chinês que construiu a Muralha da China mandou queimar todos os livros (todos mesmo) que tivessem sido escritos antes de ele assumir o trono, tamanha demonstração de que o Estado era visto como propriedade de um soberno. O povo vivia lá, como as formigas vivem na sua casa: se não dessem trabalho, poderiam continuar vivas. Mas ainda nesta nossa era governos e indivíduos clamam pelo direito de limitar liberdades individuais e até mesmo matar as pessoas que simplesmente nasceram em outras terras e falam outra língua.

Como a Itália de Berlusconi, que decidiu dar um “pega rapaz” nos imigrantes ilegais, com direito a confisco de bens, expulsão sumária e penas diferentes, ainda que para o mesmo crime, aplicadas a italianos e imigrantes ilegais: os últimos pegam mais anos de xilindró. Uma medida que tem a mesma sutileza das leis raciais da Alemanha nazista e as decisões turcas antes de empreender o genocídio dos curdos. Ou o Zimbábue de Mugabe. Ele sempre evoca a luta contra os ingleses, apesar do título que ganhou da rainha.

Pois é: torci para os EUA contra o Brasil na Liga Mundial de Vôlei. Desesperadamente. Sem culpa. Tchau, Bernardinho. Adorei os 3 sets a 0. Que mané transformar suor em ouro. Eu não gosto do Bernardinho, não gosto de frases motivacionais, não gosto, não tem jeito. Acho vulgar para caramba. E se tem uma luta que vale a pena é a batalha contra a vulgaridade.

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Estou de mau humor

Julho 26, 2008 · Deixe um comentário

Cá estou, com a atenção voltada à CBN. O ouvinte reclama da greve dos Correios, de que não recebeu nenhuma carta embora a paralisação tenha acabado faz algum tempo. Esbajando indelicadeza, é de se perguntar: caro ouvinte, deixe a arrogância de lado. Talvez ninguém escreva a quem manda carta ao jornal e peça ajuda pela rádio.

***

Não gosto de começar textos com aspas, por isso que esta frase é só um meio de contemplar o meu tique nervoso. “Quem inventou a aposentadoria não tinha o que fazer”, diz uma mulher com o rosto tão cheios de marcas quanto o chão quebradiço do sertão de Pernambuco. Ela está com as roupas gastas, furadas. “Frio sem poluição é bom, o ruim é frio com poluição.” ”Quero morrer trabalhando com 101 anos.” “Se não trabalho, o osso enferruja.” Ela estava esperando o Terminal Capelinha, às 8h e pouco, para voltar para casa após uma madrugada de trabalho. Nós, os pobres, somos viciados em trabalho. Porque talvez não tenhamos nada melhor a fazer, mesmo.

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Djavan para Prêmio Nobel da Paz

Julho 26, 2008 · Deixe um comentário

Não sou menina, mas adoro chocolate. Desço as escadas do trabalho e viro à esquerda rumo à Revistaria da Amauri, onde compro guloseimas e passeio com os olhos pelas revistas gringas que se esparramam pelas prateleiras. Há sempre algum gringo ou alguém que parece ser rico ou famoso (na rua há congestionamento de ferraris) por lá, às vezes folheando algum livro espalhado pela estante como “comer, rezar, amar” ou o “segredo”, que sempre dão assunto enquanto se toma um vinho mais velho do que você. Como não tomo vinhos mais velhos do que eu, não preciso comprar esses livros.

O lugar parece uma sucursal daquela rádio “Antena 1″. Tanto é que um rapaz fisicamente parecido com um pitbull deixou de lado a violência que escapava dos seus poros para pedir gentilmente ao vendedor: “Você me vê o novo CD do Djavan?”. O mestre alagoano, autor de obras como “tudo que Deus criou foi pensando em você, Ele fez a Via Láctea, fez os dinossauros”, não é chocolate, mas amolece os corações. Djavan para Prêmio Nobel da Paz.

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