Algumas vezes eu tento mimetizar o garoto que sempre ganha o jogo de investigações de um dos contos de Edgar Allan Poe. Para vencer o adversário, o menino imita as expressões faciais do oponente para advinhar como a outra pessoa pensa.
Esses dias, fiz isso com o Kassab. Isso explica minhas olheiras, irritação e ansiedade. O prefeito tem máquina municipal, tem tempo de TV, exposição diária nos telejornais, mas não sobe um misério ponto nas pesquisas de intenção de voto. Para piorar, ainda aparece como um Chapolin que tenta manipular resultados do Datafolha. A minha incursão pelo mundo de Kassab me mostrou ainda outra coisa: o prefeito não tem tomado suas doses diárias de fosfosol. Suas explosões de destempero trazem lá de 2006 a imagem do homem que grita “Vagabundo!”