The Pompéia Times

A lei seca dos abstêmios

Julho 28, 2008 · 1 Comentário

Bebo meia taça de vinho e já sinto um sentimento de carinho incontrolável pelas pessoas ao meu lado. Bebo pouco, ou quase nada.

Sou, desta forma, contra o uso abusivo de bafômetros para fazer valer a lei seca. Não gosto que o Estado se assanhe a me obrigar a produzir provas contra mim mesmo. Acho importante que o direito coletivo de extirpar os malucos bêbados seja severamente aplicado, mas não gosto de ver o Estado tão assanhado em, por uma boa causa, ampliar seus poderes coercitivos.

Sou contra os bêbados ao volante. Mas acho que enfiar algo na boca das pessoas não é uma boa maneira de amadurecer um país. É a mesma lógica que permite à polícia fazer uma blitz com o trêsoitão na sua cabeça ou a qual, nos EUA, justica a o “tira tudo”, até as cuecas, para evitar um atentado terrorista. Esse tipo de medida me assusta porque fico imaginando se algo como o 11 de setembro tivesse acontecido no Brasil: não quero nem imaginar que tipos de medidas preventivas a gente ia adotar. O Bush morreria de inveja da nossa Guantánamo.

Por que não usar o bom senso? Por que não fazer blitz próximo a bares para ver o sujeito que já sai bêbado, antes que ele possa sequer dirigir seu carro? Dá mais trabalho, mas evita que o cara sequer dirija e torna o país menos bruto.

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