Os veículos de comunicação têm uma série de problemas, claro. Alguns publicam notícias mal apuradas, outros deixam de ouvir todos os lados envolvidos em alguma história e há, claro, os com intenções escusas. Assim é a vida. As instituições têm problemas e, se as falhas ganham dimensões incontornáveis, as instituições acabam por seus próprios defeitos.
Tem virtudes também, que, para evitar ser cabotino, não vou elencar. Sou jornalista e defendo a liberdade de expressão _menos para quem não defende a liberdade de expressão, como os nazistas, os fascistas e algumas alas da esquerda, especialmente as de inspiração marxista-leninista. Não há razão para deixar que as pessoas que desprezam a liberdade se valham da liberdade para destruir a própria liberdade.
Bem, você deve estar pensando, por que raios este nefelibata vem falar de liberdade de expressão? Justo um dia depois de falar de liberdade de espírito no Brasil?
Enfim, porque deu vontade, porque sou livre para dizer o que eu quiser e porque chegou uma carta ao meu email que revirou o meu estômago. O PSol, nascido das entranhas do petismo, guardou algumas características da sigla-mãe. Vejam este trecho de uma carta enviadas aos veículos de comunicação sobre um tema absolutamente irrelevante. A reclamação completa, quase infantil nos seus termos, está na íntegra ao final deste post.
“Nós do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) estamos manifestando publicamente nossa indignação diante do bloqueio criado pela mídia ao longo do processo eleitoral em SP, em especial, de alguns grandes meios impressos e televisivos – entre os quais a Folha – que se recusam a dar visibilidade a campanhas que acreditam desfavoráveis ao seu projeto editorial. Infelizmente, não há no Brasil força legal que garanta que os meios impressos tratem – pelo menos em período eleitoral – de forma equânime os partidos, objetivando garantir seu papel social de melhor informar à sociedade, o que contribui decisivamente para a conservação ad eternum das mesmas forças políticas no poder. Isso comprova, mais uma vez, que a democracia no Brasil não se consolidará enquanto os meios de comunicação não forem democratizados.”
O que o PSol quer, no fundo, é controlar o que a imprensa noticia. Quer aparelhar os veículos de comunicação e usa algumas expressões bonitas, como “democratização dos meios de comunicação”, para esconder seus objetivos. Claro que defendo que os veículos de comunicação sejam oxigenados, para permitir a mais ampla gama de opiniões, de enfoques, de pontos de vista, o que seja. O que acho absurdo é estabelecer cotas para notícias. Daqui a pouco, vamos ter comitês decidindo o que deve ou não ser publicado. É esse tipo de pensamento que está na raiz do veto da Justiça ao uso livre da internet no período eleitoral. É a vontade de tutelar os indivíduos e as organizações. Esse tipo de pensamento acha que as pessoas não tem nenhum senso crítico, que acreditam em qualquer coisa e precisam ser guiadas por algum “gênio progressista”. Quer “aparelhar” as consciências.
Eu pergunto ao partido do “socialismo e da liberdade”: vamos democratizar os jornais de Cuba? Vamos democratizar o PSol? Vamos acabar com o conceito de “centralismo” nos partidos de esquerda? E com a vanguarda do proletariado? Vamos jogar no lixo também?
A esquerda precisa tomar um banho de liberdade. Por enquanto, o banho é só de “gato”.
NOTA PÚBLICA DO PSOL CONTRA O BLOQUEIO DA MÍDIA
Jornal Folha de S. Paulo esconde PSOL em matéria sobre Dia Mundial Sem Carro
Em matéria publicada nesta terça-feira, dia 23 de setembro, o jornal Folha de S. Paulo, escondeu a presença do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) nas atividades realizadas na segunda-feira, dia 22, pelo Dia Mundial Sem Carro. A matéria, intitulada No Dia Mundial Sem Carro, SP tem trânsito maior que a média, a foto ilustrativa foi tirada durante manifestação conjunta articulada pelo Coletivo Ecologia Urbana e pelo PSOL, com a presença, inclusive do candidato à Prefeitura Ivan Valente e de candidatas do PSOL à Câmara.
Como a matéria foi publicada no caderno ‘Cotidiano’, não é difícil entender as motivações que levaram os repórteres a não citar os candidatos como participantes dessa atividade, ainda que tal atividade tenha sido amplamente divulgada na agenda de campanha de Ivan Valente. Entendemos também que a Folha de S. Paulo assim como outros jornais, têm mantido um espaço específico, geralmente no primeiro caderno, para noticiar fatos referentes às campanhas. No entanto, não ter citado sequer o PSOL como co-organizador do protesto, revela um motivo editorial insidioso que, não pela primeira vez, se manifesta nesse referido jornal.
No intuito de denunciar e questionar esse tipo de cobertura jornalística, o Diretório Municipal do PSOL, por meio de seu membro-diretor Pedro Ekman, enviou e-mail ao Ombudsman da Folha reclamando o fato. “Já ficou claro que a Folha se recusa a cobrir a agenda da campanha “São Paulo é Valente”. Mas enviar um fotógrafo para uma manifestação do partido e publicar esta foto omitindo de seus leitores que se tratava de uma atividade do PSOL é o pior que se pode esperar de um jornalismo que busca credibilidade nacionalmente. Lamentável, uma vez mais”, diz o e-mail.
Ao longo da campanha eleitoral, Ekman enviou alguns e-mails para o Ombudsman da Folha, tendo inclusive, realizado com ele, conversa telefônica. Num dos e-mails, enviado no dia 13 de julho, Ekman lamentou que o jornal desconsiderasse em absoluto, o PSOL, que apesar de jovem, “possui 1 senador, 3 deputados federais, 2 deputados estaduais em São Paulo e 7% dos votos nacionais para presidência da república”.
Na ocasião, o Ombudsman da Folha, não só publicou a reclamação, como também ratificou a posição do Partido com o texto “Pequenos, mas importantes”, publicado no dia 3 de agosto. O texto do Ombudsman conclui, ainda que em vão, que “na largada da cobertura da campanha para as eleições municipais deste ano, a Folha tem às vezes relegado o PSOL a espaço menor do que sua dimensão política merece”.
Nós do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) estamos manifestando publicamente nossa indignação diante do bloqueio criado pela mídia ao longo do processo eleitoral em SP, em especial, de alguns grandes meios impressos e televisivos – entre os quais a Folha – que se recusam a dar visibilidade a campanhas que acreditam desfavoráveis ao seu projeto editorial. Infelizmente, não há no Brasil força legal que garanta que os meios impressos tratem – pelo menos em período eleitoral – de forma equânime os partidos, objetivando garantir seu papel social de melhor informar à sociedade, o que contribui decisivamente para a conservação ad eternum das mesmas forças políticas no poder. Isso comprova, mais uma vez, que a democracia no Brasil não se consolidará enquanto os meios de comunicação não forem democratizados.
DIRETÓRIO MUNICIPAL DE SÃO PAULO
PARTIDO SOCIALISMO E LIBERDADE – PSOL