Meu tio Nelson tinha um time de futebol chamado “Nardini Futebol Clube”. O escrete se reunia em um campo mezzo areia mezzo terra e uns punhados de grama em Pirituba, bairro distante uma hora e meia de ônibus da avenida Paulista. Meu tio conheceu alguns tantos jogadores que mais tarde fariam sucesso, como Cesar Maluco, no Palmeiras.
Meu tio me introduziu ao mundo do futebol árabe faz alguns anos, quando comentou de um adolescente talentoso de Pirituba que, sem espaço nos clubes de São Paulo, foi para os Emirados Árabes Unidos. Aos 12,13 anos, eu não conseguia imaginar futebol por aquelas plagas. Jogavam na areia? Vestidos da cabeça aos pés? Nem a Copa do Mundo de 1994, com o golaço do meia da Arábia Saudita, mudou muito meu conceito.
Nesta temporada, os árabes desembarcaram com tudo e levaram Valdivia, do Palmeiras, Rafael Sobis, ex-Inter, da Espanha, compraram o Manchester City e empregaram Robinho na Inglaterra. É um movimento diferente do que aconteceu com o Japão, que também era longe, mas só levava jogador em meio/fim de carreira. Os árabes, com os lucros dos preços recordes do petróleo, estão competindo com os espanhóis, italianos e ingleses. Não à toa, nenhum jogador brasileiro saiu do País rumo a um grande da Europa. As maiores cifras vêm dos países produtores do “sangue negro”.
O campo do Nardini FC do começo dos anos 80 ronda os clubes de finanças maltrapilhas do Brasil atual, mas as mãos pretas de óleo do presidente Lula esboçam, para dentro de alguns anos, o novo mapa do futebol no Brasil. Os prefeitos das cidades que recebem os royalties do petróleo vão investir em breve nos seus times de futebol. Dá voto, como mostra a ascensão meteórica do São Caetano no começo desta década. Talvez, dentro de algum tempo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo tenham de disputar jogadores com o Campos de Goytacazes, algum time de Sergipe ou do Espírito Santo.
0 respostas Até agora ↓
Ainda não há comentários... chute o balde preenchendo o formulário abaixo.