O caro leitor e a inestimável leitora hão de reconhecer que este blog é pluralista. Tudo que eu gosto, aprovo e acho interessante entra aqui. É o pluralismo do meu próprio gosto.
Portanto, partilho com vocês três vídeos de grande valor artístico e filosófico.
Metallica canta “Adocica”
Freddy Mercury e Guns and Roses cantam sertanejo. O vocalista do Guns começa a dar passos incríveis a partir de 43s.
Nightwish faz “Na boquinha da garrafa”
O objetivo era fazer um preâmbulo, para evitar os choques dessas declarações de Saramago. São frases para estômagos fortes. O escritor se declara um “comunista hormonal”. Calma, leitor fã de Saramago. Não me julgue um visigodo. Só imagine a seguinte situação. Se eu dissesse ser um “palmeirense hormonal”, o que você diria de mim? Confira aqui.
Como sabem os leitores desse blog, nutro tantas simpatias pelo comunismo quanto pelo Rogério Ceni. São dados da realidade que não tenho como ignorar, tiveram lá seus momentos de glória, conquistaram o mundo (ou uma parte dele), vestem vermelho e padecem da fraqueza fundamental da arrogância intrínseca: nada o que aconteceu antes teve valor e tudo que vier a acontecer depois… ora, não haverá depois. É o pós-comunismo e o pós-Rogério Ceni: se você não é comunista, é contra os pobres, se você não gosta do Rogério Ceni, não entende nada de futebol. A minha esperança é que, tal como caiu o muro de Berlim, a altivez impotente do goleiro sãopaulino se esvaia no momento certo e na hora justa. Emir Sader deve ser torcedor do São Paulo, tenho quase certeza.
Mas para uma coisa ao menos o comunismo serviu. O Exército Vermelho tinha um coral. Um dia, aquela banda bizarra, os “Leningrad Cowboys”, resolveram fazer um show junto com o Exército Vermelho. Cantaram uma canção chamada “Happy Together” (a música tema do comercial de uma montadora de carros cujo nome não cito porque esse blog não é patrocinado). Recomendo mais vivamente do que a leitura de “O Capital”. Só um aviso: os quatro primeiros minutos são de uma canção tradicional russa.
Eles também fizeram uma parceria para cantar Frank Sinatra: “My Way”. Há russas vestidas de comissárias (não do partido, mas de bordo).
Se você quiser ver todos os vídeos (recomendo com toda a dignidade de um torcedor do Palmeiras), veja aqui. Há “bate, bate, bate na porta do céu”…
O magnata russo deu à namorada um terreno que é visível com o auxílio de um telescópio. O presente foi um pedido de desculpas.
MOSCOU, 25 NOV (ANSA) – Para pedir perdão pelo adiamento de seu casamento devido à crise financeira internacional, o bilionário russo Roman Abramovich deu a sua noiva, Daria Zhukova, um presente um tanto diferente: um terreno na Lua.
Segundo o jornal online russo ‘glomu.ru’, Abramovich deu a Daria 100 acres de terra do lado visível da Lua, com as coordenadas 20-24 graus de latitude sul e 30-34 graus de longitude oeste.
O bilionário comprou o terreno da organização internacional “The Lunar Embassy”, que vende simbolicamente pedaços do satélite natural da Terra.
De acordo com o jornal, a propriedade comprada por Abramovich é de grande valor, já que é possível vê-la perfeitamente de nosso planeta com o auxílio de um pequeno telescópio.
Cerca de três milhões de pessoas no mundo já compraram terrenos na Lua, entre elas o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter e os atores Tom Cruise e John Travolta.
A idéia de vender “terrenos lunares” surgiu do norte-americano Dennis Hope, que em 1980, se aproveitando de uma brecha jurídica, registrou seu direito de propriedade sobre as superfícies da Lua, de Marte e de Vênus.
Um dos dois quartos da minha casa é dedicado exclusivamente aos livros. Como não há estante, ficam charmosamente desarrumados pelo chão. Tiro a poeira, evito o sol e a umidade. Não se pode dizer que são mal tratados, muito longe disso. O problema é que eles andam me tirando do sério. Estou cansado de ler. Prefiro andar na chuva durante algumas horas a encarar um Flaubert. Ou passar no supermercado a ler o Whitman.
Já tive isso antes. Deve passar. Por enquanto, a única coisa que me encanta são as velhas casas da Vila Romana e as da rua Cardeal Arcoverde. Se eu tivesse SimCity no meu computador, construiria uma cidade inteira só com as casas baixas de quintal largo da Vila Romana e da Rua Cardeal Arcoverde.
O risco da originalidade é a paralisia. O sujeito é tão exigente que se sente incapaz de oferecer alguma coisa ao escrutínio público, ensina Enrique Vila-Matas em “Bartleby e companhia”. Batleby é o copista que Herman Melville deu ao mundo no conto homônimo. A toda pergunta, ele respondia: “Preferiria não fazer”. Morava em um escritório de Wall Street e lá ficou, até você criar vergonha na cara e ler o conto.
Vila-Matas cita uma porção de “escritores do não” em “Bartebly e companhia”. Há uma biblioteca, a norte-americana Brautigan, que só aceita manuscritos de livros nunca publicados, por exemplo. Como há um amplo espaço entre os extremos, não me furto a colocar Junior Lima no lado diametralmente distante dos artistas do Não. Ele é um músico do sim, sim, sim, que não receia em se expor, em mostrar suas entranhas a nós. O irmão da Sandy acabou de lançar o primeiro CD da sua banda. A sugestiva trupe de músicos se chama “Nove Mil Anjos”.
Eles se dizem uma banda de rock nacional com uma pegada rapper. Nada a ver com “o que é imortal / não morre no final”.
Em um dos vídeos, um dos membros da banda, o ex-Charlie Brown Jr Champignon, faz aquele barulhinho de bateria eletrônica na boca enquanto um outro, anônimo, declama “That`s rock`n roll”. Confira a sacada aqui. O Junior Lima também mostra toda a vibe da bateria aqui.
Claro que imagem não é nada e letra é um pouco mais do que isso. Alguns excertos dos achados de 4 dos 9 mil anjos poderão oferecer conhecimentos mais profundos sobre o que vem por ai: “Contra os fatos não existem argumentos / nem o meu nem o seu” ou “o mito é que o mundo é pouco”.
O destaque fica por conta de uma homenagem (indireta) à música popular brasileira dos anos 70. A declaração de amor a uma stripper, na faixa de mesmo nome, tem este verso: “você está no seu mundo louco / onde as árvores falam e os prédios são aeronaves”. Odair José, com “Vou Tirar Você Desse Lugar” e “Revista Proibida”, foi mais assertivo, preciso e, provavelmente, convincente nos seus propósitos. Teria de dar algumas lições aos pupilos, mas diria que eles estão no caminho certo.
Junior Lima foi oprimido durante boa parte de sua vida pela figura da irmã. É justo que se liberte de um “acho que pirei / meus pés saíram do chão” ou “abre a porta mariquinha”. Reconheço seu desprendimento em partilhar conosco o que poderia ter se confinado às paredes de sua casa em Campinas. Não padece do tipo de vaidade e egotrip que atinge os artistas do não. Ele é prova de que, quando se tem um sonho, nem um clichê pode atrapalhar essa jornada rumo ao sucesso e à realização do seu eu interior. O sonho dele era tirar os mullets e fazer um cabelo moicano.
São Paulo deve ser uma das 1000 melhores cidades do mundo quando o calor no domingo à noite é tão intenso que prenuncia a chuva na segunda. Os motoristas de táxi se tornam mais espirituosos, abertos, por exemplo. Um deles me levou para casa ontem à noite e tinha uma teoria interessante, que pode carecer de precisão científica porque se impõe pelos fatos. A zona leste de São Paulo é um celeiro de musas pornôs lado be.
Carol Miranda, a sobrinha da Gretchen, mora na Vila Matilde, me contou o taxista. Ao que eu perguntei: “Como o senhor sabe?” Ele já levou a Carol Miranda para casa e me listou a obra completa da moça, sobrinha da Gretchen: um filme “Fiz pornô e continuo virgem” e a capa da Sexy. É uma jovem revelação, me asseverou o chofer, que reparou no diâmetro das pernas da moça com um espelhinho discreto, que ele usa no carro para espiar as ladies que entram no carro. É menor do que o retrovisor e funciona particularmente bem à noite, quando ele liga a luz neon que destaca o banco traseiro do automóvel. Ele fez isso durante a viagem. É discreto. Olhei para ele um tanto desconfiado. “Se alguém reclamar, eu desligo. Mas até hoje ninguém reclamou. E olha que não é por falta de reparar…”
Foi com esse mesmo espelho que ele notou uma pinta na perna de Julia Paes, a ex-namorada de Thamy, filha da Gretchen. Essa, me contou o chofer, mora no Cangaíba e fez tantos filmes e posou para tantas revistas que “qualquer passada pelo google vai te contar”.
Chegamos em casa, na zona oeste. O motorista disse que podia seguir listando o número de moças oriundas da zona leste que brilharam em publicações como Sexy, Ele&Ela, ou em vídeos da Brasileirinhas. Ele me perguntou quantas atrizes pornôs que eu, que sou jornalista, conheço. Disse a ela “nenhuma”, e perguntei onde ele mora: “Na zona leste, entre o Cangaíba e a Vila Matilde”. Assinei o boleto, fechei a porta e fui embora. O taxista me esperou entrar no prédio e deu tchau. Parecia orgulhoso.
Os imprevistos acabam com as grandes frases. Pois agora, depois de ver meu time perder por 5 a 2 para o Flamengo no Campeonato Brasileiro, até a máquina de felicidade instantânea me tirou uma casquinha. Coloquei dois reais no delivery de guloseimas do trabalho. O chocolate custa R$ 1,40. O aparelho grunhiu sons primitivos e me devolveu R$ 0,10 de troco.
Nesse caso não tem conversa, é no tapa, no chacoalhão, na base do empurra, com o espíritio de arrastão. Mas meu arrastão lembra o da Elis Regina, não o do Rio de Janeiro. Meus R$ 0,50 alimentaram aquela engrenagem de coincidências desagradáveis. Às vezes isso me acontece. São “aqueles momentos”. Lembrei de Marx: “Proletários do mundo, uni-vos”. Marx não conhecia a devastação que as máquinas de guloseimas provocam no ânimo de um homem. Nem o futebol. O que seria de Marx se tivesse conhecido o futebol? “O capital”, talvez, fosse mais bem escrito, ao gosto das multidões. “Benzedeiras do mundo, uni-vos”: este é o única mote que me intessa agora. Estou aqui, esperando seus talentos. Eu, sinceramente, acredito em quebranto.
Em 2005, de meados de agosto a meados de setembro, fiquei surdo, tive tersol, meu apartamento foi roubado e a editoria onde eu trabalhava no jornal foi fechada por falta de anunciantes e, logo, de papel também. Fugi de toda escada e gato preto. Se eu saísse de casa e o elevador demorasse além da conta, previa um dia daqueles. O ônibus também. O mau olhado estava em toda parte.
Mas tal como veio, passou a onda. E o Palmeiras conseguiu a vaga para a Libertadores contra o Fluminense no último jogo do Campeonato, em dezembro. Foi 3 a 2. O time saiu perdendo duas vezes. O Corrêa fez o gol da vitória. Que saudades do Corrêa. Ele foi o último jogador que acertou um cruzamento no Palestra Itália em dias de sol em jogos contra o Fluminense em tardes de domingo.
“Se você acha que alguém quer te pegar, não está sozinho. A paranoia, que antes acreditava-se atingir apenas os esquizofrênicos, pode ser muito mais comum.
De acordo com o psicólogo Daniel Freeman, quase um em cada quatro ingleses tem pensamentos paranóicos. Freeman é especialista em paranoia no Instituto de Psiquiatria do Hospital King’s College e autor de um livro sobre o assunto.
Especialistas dizem que existe um amplo espectro de paranoia, da ilusão perigosa que leva os esquizofrênicos à violência aos medos irracionais que muitas pessoas têm diariamente.
“Nós estamos começando a descobrir que a loucura é humana e que precisamos analisar as pessoas normais para entendê-la”, disse o Dr.
Jim Van Os, professor de psiquiatria da Universidade de Maastricht, na Holanda. Van Os não tem relação com os estudos de Freeman.” Leia a íntegra do texto.
"Parte daquilo em que acreditamos deve ser verdadeiro para que sejamos capazes de pensar, mas isso não significa que não poderíamos estar enganados sobre grande parte do que pensamos" (Thomas Nagel, em "Visões a partir de lugar nenhum", sobre os limites do ceticismo)