The Pompéia Times

Entradas do Dezembro 2008

Stellar Fireworks

Dezembro 31, 2008 · Deixe um comentário

Stellar Fireworks

Stellar Fireworks

Informa o site da Nasa: “Looking for all the world like a New Year’s fireworks display, this image from NASA’s Spitzer Space Telescope shows the nasty effects of living near a group of massive stars: radiation and winds from the massive stars (white spot in center) blast planet-making material away from stars like our sun. The planetary material can be seen as comet-like tails behind three stars near the center of the picture. The tails are pointing away from the massive stellar furnaces that are blowing them outward.”

Mais, aqui.

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Como eu e 2008 estamos nos despedindo

Dezembro 31, 2008 · Deixe um comentário

Estávamos eu e 2008 sentados à mesa para discutir a relação. Deixamos tudo para a última hora, dia 31. Era melhor resumir em um dia a nossa relação que se construiu em outros 364. O ambiente estava assim disposto:

- Às 0h49 deste dia 31, eu terminava de ler o romance “O Filho Eterno”, do Cristovão Tezza.

- Às 10h17, em Caieiras, entro no último vagão do trem. Fico sentado de costas para o meu destino, vendo a paisagem em retrospectiva, que se afasta de mim deixando pedaços de casas, pedaços de árvores, campos de futebol cobertos pelo mato. Vejo diversas ruas desabitadas.

- As 11h04, compro um bolo formigueiro na padaria perto de casa. Não tinha gosto de bolo formigueiro. Mas a padaria é nova. Não justifica.

- Às 11h36, pego o ônibus para o trabalho. Tento ler, não consigo e adormeço. Às 11h58, um homem entra no ônibus, oferece balas por dinheiro, não aceito. O homem leva os doces a outras mãos, e segue a vida no ônibus até que ele pára e faz um pequeno discurso sobre o egoísmo humano. Ele aponta os males das pessoas que não aceitam pagar por uma bala para ajudar alguém no último dia do ano, e, pior ainda, aquelas que não aceitam nem pegar a bala, sem compromisso.

- Exatamente 12h05 descemos, eu e o homem, do ônibus. Poderia caminhar pelo meio da avenida Faria Lima. Só seria atropelado por descuido ou malvadeza. Vou até a calçada, onde alguns meninos de rua descansam. Há bolinhas, mas não há carros.

Chegamos à conclusão de que a nossa relação não pode ser explicada pelos cinco último fatos.

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Duilio Ferronato, Israel, Palestina e as virtudes do silêncio

Dezembro 30, 2008 · 1 Comentário

Um dos meus contos prediletos é “Jardim de Caminhos que se Bifurcam”, do Borges. Quando li pela primeira vez, lá se vão mais anos do que gostaria de pensar às vésperas de um 31 de dezembro, passei ao menos dois meses desenhando um jardim com caminhos que se partem em dois. Tinha um objetivo. saber até que ponto era possível se bifurcar sem que os caminhos se encontrem adiante.

Borges era um grande leitor de um escritor inglês chamado G. K. Chesterton, que enfrentou com sutis paradoxos lógicos uma série de modismos intelectuais e literários da sua época. Ele ironizou com delicadeza as pessoas que acreditam demais nelas mesmas (escreveu que só os loucos acreditam piamente nas próprias possibilidades) e afirmou que é mais fácil acreditar em duendes do que no progresso humano.

Hoje, recebi um texto que me lembrou tanto Borges quando Chesterton. O autor é o Duilio Ferronato, blogueiro da Folha Online. Ele escreveu um texto vociferando contra Israel. Duilio certamente é uma pessoa que acredita muito em si mesmo. Os textos em seu blog são recheados de certezas sobre a vida, o homem e o design de móveis e objetos. Ele repete, basicamente, os bordões, clichês e embustes ideológicos dos anti-semitas:  vamos boicotar os malvados judeus, sempre com seus amigos, sempre protegidos, sempre fazendo aos palestinos o que os nazistas fizeram com eles.  Só falta reavivar os protolocos dos Sábios de Sião. Mas ele tenta um disfarce: ele diz que é contra a fabricação de armas, qualquer arma.  Duilio tenta parecer um homem de paz.

Mas Duilio entrou em falso um jardim de veredas que se bifurcam com essa última proposição.  Ele atira contra Israel e contra os fabricantes de armas. A conclusão que se tira é que Israel e os fabricantes de arma são uma coisa só, e o jardim estaria fechadpo. O problema é que os pontos de um jardim de veredas que se bifurcam, depois de muito tempo, crescem até se encontrarem adiante. Formam um círculo, onde todos os caminhos estão ligados de alguma maneira entre si. Viram vasos comunicantes. Duilio engendra uma mentira, uma mentira simplista, maniqueísta. Porque o Estado de Israel não é os fabricantes de armas. Seu raciocínio é limitado.

Os ataques de Israel à Faixa de Gaza são criminosos. Há um massacre em andamento. O Estado de Israel trata os adversários na base da porrada. Foi assim com o Líbano, foi assim na Guerra dos Seis Dias. Mas o que dizer do Hamas, que atira foguetes contra Israel e prega a destruição do Estado? Ou da Síria? E do Irã, cujo presidente nega a existência do Holocausto? Eles não usam flores. Eles não fazem protestos pacíficos. Eles matam. Eles usam mulheres e crianças como escudos humanos. Eles fazem atentados suicidas.

Infelizmente, é assim que as coisas têm sido faz alguns séculos.  Quem se sente seriamente ameaçado, ataca. A situação internacional é de anarquia. Não há uma polícia internacional que faça os Estados cumprirem leis universais _ no máximo, algumas resoluções. Nem há disposição para tanto nem parece que essa seja a melhor solução: quem vai abrir vão de sua soberania?

Ainda estamos em um estágio tão primitivo que há um número considerável de pessoas que defendem a invasão da Bolívia e do Equador pelo Brasil por causa de gás e do BNDES e há pessoas, tão presas ao seu etnocentrismo, que acham que cada povo tem sua cultura e ela tem de ser respeitada. Afirmam que a mutilação de clitóris e burca são parte da vida dos povos árabes e nós, ocidentais, temos de respeitá-los. Duas besteiras estrondosas. Assim como defender o boicote. Se desse certo, Cuba já seria extensão de Miami faz muitos anos, talvez desde o começo dos anos 90.

Outra mentira de Duilío é associar o conflito entre Israel e o mundo árabe à questão religiosa. Israel é um Estado laico. Há diversos países de maioria muçulmana, como a Turquia e o Egito, que mantêm relações com Israel. O problema não é esse. Os judeus conviviam com outros povos em paz, espalhados pelo mundo, até o Holocausto: estavam na Rússia cristã ortodoxa, na Alemanha católica e protestante. Com o crescimento do anti-semitismo, essas pessoas tiveram de deixar seus países porque ou iam aos campos de concentração. Os judeus passaram a esperar o próximo massacre.  Um amigo meu, judeu, conta a história do avô de um amigo dele que mantém uma mala debaixo da cama _ se ele sentir que a chapa vai esquentar, migra.

Diante desse quadro, os judeus tiveram de procurar um lugar mais ou menos seguro para morar, onde ao menos a ameaça não fosse permanente. Cogitaram uma parte da Argentina, mas não deu certo. Foram à Palestina, e o resto da história é conhecida.

Não há uma única razão para o conflito, há várias, e cada ação deve ser julgada em si mesma. Um massacre é sempre um massacre, não importou quem o engendrou nem com qual motivação. Mas uma olhada menos preconceituosa ao passado ajuda a evitar raciocínios. Não sou o Duilío, não tenho respostas para tudo. Só não admito que as pessoas escrevam textos pregando o ódio. Por que não se calam? Quando não há o que falar, é melhor se calar. O silêncio é uma virtude.

Até algum tempo atrás, eu ia à missa na minha paróquia em Caieiras para pensar na minha própria vida. Havia o momento de orar em voz alta e o momento de calar. Hoje, mudou o padre. Ele tenta preencher todos os momentos de silêncio com cantos, alguns de gosto bastante discutível. O silêncio, repito, é uma virtude. A histeria é uma forma de fugir da nossa própria ignorância. E somos ignorantes sobre a maior parte dos assuntos da nossa existência. O conflito no Oriente Médio não se resolve com manuais de auto-ajuda repletos de rancor.

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Joseph Roth

Dezembro 30, 2008 · 1 Comentário

Caros amigos e amigas, se vocês tiverem um tempinho neste final de ano, não deixem de ler “Jó”, do escritor Joseph Roth (ele não é parente do Philip). É uma releitura arguta do livro bíblico, mas sem as artimanhas fáceis de um copiar-colar, mudar as palavras e trocar os nomes dos personagens. Publicado pela Cia. das Letras, seu estilo lembra o de Isaac Babel, flertando com o impressionismo literário. 

Tem algumas passagens memoráveis.

Categorias: Literatura
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As tribos hostis da internet

Dezembro 29, 2008 · Deixe um comentário

Confesso a todos os meus leitores que sou um homem recuperado para a sociedade. Gostaria de introduzir um explico entre o ponto e o gostaria, mas me detenho. O fato é que, durante alguns anos, fui um severo crítico de mídia. Cometi um atentado contra o bom senso e enviei, lá pelos idos de 2002, uma carta à sessão homônima de um grande jornal.Arrepiem-se junto comigo: foi publicada no alto da coluna, na edição de domingo. Orgulhoso, recebi cumprimentos cheios de admiração dos meus professores de faculdade, todos admirados com o meu senso crítico, a minha coragem. Um anabolizante de vaidade. Era a coroa, o diadema que me faltava em uma carreira erguida desde o colégio. Mas a carta não dizia nada. Era um festival de bobagens do começo ao fim. Traduzia uma indignação justa, mas que não precisava ser expressada.

Foi difícil notar o vazio espiritual daquele texto. Anos se passaram, lendo e relendo críticos de mídia, comentários de leitores na internet contra a mídia, observatórios na televisão e mais uma avalanche de programas do gênero para me dar conta do buraco negro mental em que eu havia sido arremessado. Estava na companhia da mais pura ignorância, burrice e má fé, barbárie mesmo.

Os visigodos seriam pouco mais do que petit terrier perto de algum professor de comunicação da UnB. 

Os internautas atenderam aos apelos de democratização dos meios de comunicação. Resolveram democratizar a mídia a pontapés e se comportam como bestas-feras. Adotam pseudônimos sem nenhum gosto para se digladiar em poucos mais de 500 caracteres nos comentários que fazem nos sites de notícias da internet. Essa turba gasta um tempão para explicar como a mídia favorece o complô judaico mundial para dominar o mundo, se debulha em xingamentos. Os menos toscos enviam cartas a jornais e revistas, todos repletos de uma indignação pueril. Um deles, no Painel do Leitor da Folha, por exemplo, criticou o baixo nível da programação da televisão brasileira. Calma, não é notícia velha, porque o sujeito queria ser a vanguarda de um grande movimento em prol da volta dos cariocas à telinha. Para ele, a televisão é ruim porque é feita por paulistas. Confiram. A pérola saiu impressa no dia 22 de dezembro. 

Alguns professores de saborosas universidades brasileiras dão o esteróide intelectual a esse quartel de analfabetos espirituais. Um deles, por exemplo, prega que a mídia descobriu um meio de entrar em nossas cabeças pelos poros da pele. Seria uma maneira muito sofisticada de evitar que o nosso senso crítico interpusesse uma barreira contra a reunião que os jornalistas do mundo fazem todo dia, na metade do expediente, para decidir como estigmatizar todas as minorias e maiorias desse mundo. Eles seguem um sujeito que começa com L (não procurem no google, se poupem) e pertencem a uma tribo chamada b (também não dou o nome! é um palavrão). 

Foi duro deixar de ser um crítico de mídia, e a isso devo a descoberta de um remédio: a leitura. Desde que comecei a ler com mais assiduidade, no meu grupo de “críticos de mídia anônimos”, estou curado. Essa parte da minha enorme ignorância saiu de mim. Experimente você também. Não comente em blogs. Não escreva cartas a jornais e revistas. Não dê bolas a nenhuma pessoa que diga que você tem de exercitar seu senso crítico diante da mídia, que você tem de pressionar a mídia. Não faça isso. Não participe dessa tribo de ignorantes que invadem a mídia armados com pedaços de pedra, como barbudões do neolítico, para empreender linchamentos morais. Quando alguém se dispuser a criticar a mídia, mude de canal, não leia o texto. Não perca o seu tempo. Não participe da proliferação da ignorância. Não seja você também um imbecil. Escute quem já foi um grande imbecil. 

Crítica de mídia é uma das grandes besteiras do festival maior que assola o País. Interatividade, hoje, é como jogar pérola aos porcos. A melhor maneira de se indignar diante da mídia é ignorá-la.

OBS. Abre parênteses. Há críticos de mídia muito bons. Mas eles não têm espaço na mídia. Todos os meus amigos de faculdade, quando criticam o lugar em que trabalham, são infinitamente melhores e mais argutos que essa tropa de voz de gralha.

OBS2: Esse artigo segue a lógica mental e vocabular de um ex-crítico de mídia recuperado para a sociedade. Claro que alguns vícios, como os xingamentos, acabam escapando e, por essa razão, preferi manter a coisa assim, espontânea. Mas pelo menos eu tentei evitar os riscos de uma concordância mal colocada. Qualquer problema, por favor, dirijam-se ao guichê.

Categorias: mídia
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Eu já sabia!

Dezembro 17, 2008 · 1 Comentário

Britânico mente sobre livros lidos para impressionar, diz estudo

Quase a metade de todos os homens e um terço das mulheres já mentiram a respeito dos livros que leram para tentar impressionar amigos ou parceiros em potencial, diz um estudo britânico.

A pesquisa, encomendada como parte do 2008 National Year of Reading – o ano nacional da leitura na Grã-Bretanha – envolveu entrevistas com 1.543 pessoas, entre elas 864 adolescentes com idades entre 12 e 19 anos.

Quatro em cada dez participantes disseram que mentiram sobre os livros que haviam lido para impressionar amigos e parceiros em potencial – 46% dos homens e 33% das mulheres.

E três quartos (74%) dos adolescentes entrevistados admitiram ter fingido ler algo para impressionar o grupo ou como uma arma na conquista.

Mais, aqui.

Categorias: Literatura · humanidade
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A Justiça e o Sol

Dezembro 16, 2008 · 1 Comentário

Lá em Caieiras, na rua, eu tinha uma mania meio estúpida e pedante de clamar pela lei quando tinha uns 9, 10 anos. Meu pai-padrasto era advogado e, vez ou outra, em uma confusão no futebol, eu invocava a Constituição. Se alguém me chutasse a canela, eu espirrava os direitos civis. Coisa de nerd bancando o nacional-popular. Ganhei cinco pontos no supercílio e algumas cicatrizes no pé sem precisar de lei alguma. Deixei a poucas pessoas o legado da minha existência arredia. Talvez uma “paulistinha”, aquela joelhada na coxa que tira o sujeito de campo. Não mais do que isso. Pouco mais do que isso, não.

Porque o meu negócio mesmo era ler a enciclopédia Britannica e a Barsa, especialmente as versões científicas. Eu queria entender as leis do mundo natural. Certa vez, fiquei profundamente irritado porque ninguém em casa sabia a razão de o Sol ficar na Via Láctea. Para mim, há um senso urgente de justiça em cada canto do universo. Eu achava que outros seres também tinham um Sol para se bronzear no verão, e descobri que o universo era tão grande que poderia comportar outros sóis. Aquilo apaziguou meu coração.

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Por que me ufano do meu Socorrão

Dezembro 14, 2008 · Deixe um comentário

Andar de ônibus é coisa de pobre, e eu não poderia concordar mais. Ando de ônibus todos os dias e vejo pobres de todas as matizes na linha Lapa-Socorro, que me transporta de casa, na divisa exata entre os bairro das Perdizes/Pompéia e o da Lapa, para o trabalho, que fica na rua Amauri, no Itaim.

O vazio da experiência não chega a ser comovente. As pessoas são praticamente mudas. Quando falam, resumem-se a tergiversar sobre o tempo, o aperto ou a passar uma reprimenda em quem lhes pisa os pés. Os cobradores, desde a instalação do bilhete único, dedicam-se ou a dormir ou a ler os jornais. Não têm mais olheiras e estão muito mais inteirados sobre a crise mundial. Os motoristas têm metas a cumprir e… uau!… vocês têm de ver o que é descer a cardeal Arcoverde em um domingo pela manhã sem trânsito. É impossível ler quadrinhos. Várias pessoas me perguntam por que não troco os ônibus pelos carros, que também são coisas para pobres como eu.

O primeiro motivo é que dirigir é algo para pessoas que combinam muita inteligência com muita coordenação motora com muita coragem com muita confiança com muita disposição emocional. Basta ver como há motoristas no Brasil, nos EUA e na China, que são países grandes e confiantes e certos de seu destino no planeta. Não é o meu caso. Minhas habilidades não me credenciam à direção de um automóvel.  Sou tímido, antes de tudo. Carros não são símbolos fálicos.

O segundo motivo é que, às vezes, raramente, do nada surge alguma coisa. Como ontem pela manhã, um sábado nublado, delicioso de tão chuvoso em São Paulo. Frio como deve ser um sábado de plantão. Enquanto limpava os meus óculos, escuros, ascultei uma conversa entre duas mulheres que exaltavam as virtudes do casamento. A estabilidade, a limpeza da casa, os filhos, o marido dependente que não sabe nem fritar um bife. Mas a virtude só se revela no seu oposto, o vício. Caso contrário, é rotina. 

A mulher, que se orgulhava de ser a mais magra da família, lamentou a história de uma amiga, professora, que tinha deixado o marido não fazia nem 15 dias. Sempre segundo essa mulher, que desembarcou na Fradique Coutinho por volta de 8h10, um dia a amiga, professora, encontrou um ex-namorado. Conversa vai, conversa vem, tal e coisa e tal e coisa e o sujeito assevera:

- O casamento te fez mal. Você engordou.

A  mulher chegou em casa e perguntou ao marido se estava gorda. Devia ter contado mais detalhes, mas só revelou o que se passa: o marido disse que não, ela esbravejou que ele dissesse a verdade. Ele disse que gostava dela do mesmo jeito. A professora voltou para a casa da mãe com os dois filhos do casal. Mais, não sei. Eu me ufano do meu Socorrão. Pena que ele deixa as pessoas interessantes partirem ou não permite perguntas da platéia.

Categorias: São Paulo
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Ombudsman de Blogs

Dezembro 5, 2008 · Deixe um comentário

Resolvi que, a partir de hoje, textos críticos a outros jornalistas não merecem mais o nobre espaço de “The Pompéia Times”. Criei um blog só para bater nesta nobre espécie do bloguismo nacional, simbolizada por Juca Kfouri. 

Se estiverem dispostos, o blog está aqui. E é aberto a contribuições de leitores que também acham que é preciso dizer a alguns blogueiros que o que eles escrevem é, simplesmente, besteira. Inclusive neste blogueiro.

Categorias: Blog
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Madeleine Peyroux

Dezembro 5, 2008 · 3 Comentários

Ontem teve show da Madeleine Peyroux em São Paulo. Quando ela cantou “Dance to the End of Love”, lembrei de um conto do Henry James. 

“Quatro Encontros” é a história de uma professora dos EUA que sonha em conhecer a Europa. Quem narra sua saga do interior de “New alguma coisa” a Paris é um sujeito de profissão indefinida, que costuma cruzar o Atlântico com freqüência e faz relativo sucesso ao contar, sem excitação, suas histórias pelas vielas de Roma ou de Madrid.

Depois de guardar dinheiro por muitos anos, consegue pegar um navio. Passa sua primeira tarde nas ruas do Quartier Latin. Mas apenas uma tarde. Um primo lhe pede todo o dinheiro que ela reservara para a estadia. Ela dá, e volta aos EUA no mesmo dia em que chegara. O narrador, então, tenta decifrar o porquê desse gesto de solidariedade. A resposta que a moça dá é desconcertante e me parece um tanto mórbida. Ela traz Paris até a casa dela de um jeito extravagante. 

A Madeleine é graciosa como a personagem do conto, mas parece exilada ao cantar em inglês. É como se ela se submetesse. Ao que, não sei.

Categorias: música
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