The Pompéia Times

Crise e a unha encravada

Março 12, 2009 · Deixe um comentário

Minha unha do dedão do pé direito voltou a encravar depois de algum tempo. A última vez foi há mais ou menos seis anos. Na adolescência era freqüente. Encravou entre 1991 e 1993, deu uma folga entre 1994 e 1996 (consegui, enfim, voltar a jogar bola nesta época) e parecia eterna em 1997, 1998, 2001, 2002 e 2003.

Cursei mais de metade da faculdade com dores no pé e frases dos professores sobre “a pior crise da história do jornalismo”. Havia demitidos aos borbotões.

Tenho algum pressentimento de que minha unha sente o cheiro de crise econômica. Essa semana ela está particularmente latejante. Sentiu o gosto do PIB derramado, das vagas fechadas na indústria. O que me faz rir por dentro quando leio que essa é a primeira débâcle enfrentada pelas pessoas da minha geração, como nos diz este link

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Relatos desde Chile

Março 12, 2009 · Deixe um comentário

Minha colega Mariane, que não vejo desde os tempos de estágio na Veja, mora hoje no Chile. Ela fez uma lista interessante sobre o País nos comentários. Reparto com vocês agora.

“Claro que eu ia comentar sobre o Chile…
Algumas coisas específicas…
- Depois de 3 anos vivendo aqui eu nunca fui pra São Pedro de Atacama. Junto com Torres del Paine, na Patagonia, são os passeios mais caros do país. Foreigners-only.
- San Pedro pelo menos tem carnaval, o resto do país trabalha como se nada estivesse acontecendo….
- Reggaeton é o que mais se escuta no Chile. Mas é claro que tudo pode piorar, 4 anos atrás a onda era o Axé brasileiro.
- Pinochet junto com Allende, Ramirez, Gonzalez e similares são como Souza, Silva e Barros no Brasil. Estudei com um ‘Salvador Allende’ playboyzinho (ainda se usa essa expressão?) na faculdade e viajei com um ‘Pinochet’ membro do partido comunista para Pichilemu….
- Na próxima vez que vier ao Chile visite Valparaíso e Viña del Mar – eu recomendo.
- Permita-me uma correção, o jovens do Chile não são emos – são pokemons: http://www.terra.com.mx/galeria.aspx?galeriaId=016123
- Eu estou completamente de acordo sobre o aeroporto de Santiago, um dos piores lugares pra se dormir – especialmente durante os meses de inverno – quando lá fora faz aproximadamente 2° C. Experiência própria – 4 noites perdidas nesse aeroporto – no inverno.
Saludos”

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Vitus e O Leitor

Março 10, 2009 · Deixe um comentário

Generalizações sobre os filmes “Vitus” e “O Leitor”.

- Se você gostou do livro “Eichmann Em Jerusalem: um Relato Sobre a Banalidade do Mal”, da Hannah Arendt, provavelmente vai se sentir à vontade com o filme “O Leitor” _apesar da leve queda ao estereótipo na cena final, quando o protagonista visita uma sobrevivente do Holocausto.

- Se você se apaixonou por “Os meninos da rua Paulo”, de Ferenc Molnár, ou “Alguém para correr comigo”, do David Grossmann (e mesmo o Momik, de “Ver: Amor”, do mesmo autor), vai sentir algo parecido depois da cena final de “Vitus”.

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Breves imagens do Atacama

Março 6, 2009 · 1 Comentário

Esta é só uma parcela das fotos que (mal) tirei por aquelas plagas. Vou tentar postar algumas aqui, aos poucos.  (Para ver as imagens ampliadas, basta clicar sobre elas.)

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“Slumdog – Quem quer ser um milionário?” é um remake politizado de “Lua de Cristal”, da Xuxa

Março 4, 2009 · Deixe um comentário

Todo dia, às 6h45, entre fevereiro de 2001 e julho de 2003, eu pegava o trem na estação Caieiras. A primeira coisa que aprendi é que não poderia ficar perto da porta porque o volume de pessoas que entra em Perus e Jaraguá é tão grande e acometido de tanta força que você é arremessado no colo de quem está sentado. As chances de viajar durante 30 minutos tentando se desvencilhar de alguém tão constrangido quanto você eram muito grandes. Nos dias sem prova, esperávamos um trem menos apinhado. Nos dias com prova, nós compartilhávamos com os presos de Franco da Rocha o vagão do semi-aberto. Extra-oficialmente, era o espaço destinado aos detentos que trabalhavam em São Paulo de dia e voltavam para a cadeia à noite.

Nunca fui roubado, embora durante os primeiros meses eu viajasse apreensivo.

As pessoas contavam histórias bastante desagradáveis sobre comida, sexo e condições de higiene na prisão e o que elas faziam para, digamos, sobreviver. O medo passou depois de alguns meses e a vida seguiu relativamente bem até eu resolver mudar para São Paulo. Não por causa do trem. Mas porque não fazia mais sentido estudar e trabalhar em São Paulo e morar em Caieiras. De herança, restou uma enorme contrariedade em relação a filmes e livros que tentam ensinar, em tintas realistas, o que é a vida na periferia das metrópoles. Por essa razão, quando saiu a primeira leva de filmes sobre cadeias e criminalidade no Brasil, eu resolvi que não iria ao cinema. Não vi “Cidade de Deus” em 2002 e só me rendi a “Carandiru” porque o filme passou no ônibus que me transportou por mais de 20 horas entre Santa Maria (RS) e São Paulo, em 2004.

Esses dois filmes me pareciam uma versão século 21 do livro “O cortiço”, do Aluísio de Azevedo, ou uma versão “National Geographic” dos miseráveis: “Estes são os pobres em seu habitat natural, vejam como eles se matam. São pobres, logo, são violentos”. A história me parecia simplista demais. Passados mais de seis anos, tenho certeza de que Carandiru é um filme ruim e recheado de estereótipos. Mas tenho de reconhecer que “Cidade de Deus” é mais do que a estetização da pobreza. É um bom filme que trata as pessoas que vivem nas favelas como pessoas que, tal como tantas no mundo, tem defeitos e qualidades. No meu caso, era só preconceito. O filme também tem um projeto estético, tem fotografia de boa qualidade, inovou em relação à filmagem, como a célere cena da galinha.

Por isso, entendo o mal estar que deve ter acometido o Fernando Meirelles quando algumas pessoas começaram a comparar “Cidade de Deus” ao vencedor do Oscar, “Slumdog – Quem quer ser um milionário?”.

O agraciado pela academia é só uma versão pretensamente mais politizada de “Lua de Cristal”, filme da Xuxa de 1990. O ator principal tem a expressão do Cigano Igor da novela “Explode Coração”, exibida pela TV Globo entre 1995 e 1996.

O filme conta a história de um favelado que participa da versão indiana do “Show do Milhão”, que fez algum sucesso no SBT de Silvio Santos. Ele surpreende o apresentador e o público ao conseguir responder a questões como o nome do personagem histórico impresso na nota de 100 dólares dos EUA.  Ele realizou o seu sonho, explica o filme, por dois motivos: porque as respostas estão relacionadas a passagens tristes do seu passado e porque, oras bolas, é o destino. Afinal, ele participa do programa porque quer conquistar a mulher amada. E ela só topa viver com ele se o herói tiver dinheiro no bolso. Nós sabemos como ele responde a cada pergunta porque ele é torturado pela polícia indiana.

Há referências a praticamente todos os clichês da Índia e da pobreza. O menino mergulha numa fossa cheia de merda para pegar o autógrafo de seu ídolo do cinema. Há o conflito entre hindus e muçulmanos: a mãe do protagonista é morta a pauladas e depois é queimada. Há referências ao “misticismo” indiano: tudo é o destino… Vemos uma criança sendo cegada para melhor servir a um dos ramos de negócios de um chefão do crime. O amor de infância do personagem principal vira, primeiro, uma prostituta infantil e, depois, se casa com um dos barões do crime. Até o Taj Mahal faz uma ponta no filme.

O final é feliz. Ele vence o programa, se torna um milionário, conquista seu primeiro amor e o filme termina como um musical. Dançam como “High School Musical” durante alguns minutos. O diretor força a mão em um pretenso realismo que não passa de clichê e provoca a redenção com uma dança que se resume a um pastiche. É um exemplar típico da “Sessão da Tarde”. Seu legado é um mar de ignorância. Não tem um projeto estético definido, não traz nada de novo e provavelmente faz com que o espectador saia da sala de cinema sabendo menos sobre a Índia do que quando entrou. A premiação do Oscar é só um incentivo à ruindade.

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Notas sobre a viagem ao deserto do Atacama – 2

Março 3, 2009 · 1 Comentário

- O motorista e seu acompanhente, que nos levaram de Calama a San Pedro, disseram que o Carnaval da cidade era movido a sexo, drogas e álcool. Eles mentiram. Tsc, tsc, tsc.

- Eles corriam muito nas [modo Roberto Carlos cantando "Nas curvas da estrada de Santos"] curvas… da cordilheira do Sal… foi que eu te encontrei… [fim do modo Roberto Carlos].

- San Pedro tem prefeita.

- Em todos os lugares públicos há uma placa contra o alcoolismo. 

- O lema dos carabineros, a polícia militar meio federal do Chile, é Ordem e Pátria.

- A praça central lembra a Praça da República, em São Paulo. 

- O aparelho de som da praça central às vezes toca os sons de erro do Windows.

- Há muitos cachorros na cidade.

- Até você descobrir que o Carnaval é Carnaval, rola um clima tenso. Parece as noites do terror, do Playcenter.

- No Carnaval, tinha uma pessoa vestida com o tradicional traje de gala de papel marchê. O rei e a rainha usavam papel laminado.

- Chá de coca tem gosto de chá verde. Tomei pela primeira vez em um café que quebrava um xícara a cada 15 minutos e tinha um cliente vestido de Indiana Jones. 

- A cidade tem um semáforo de raios ultravioleta. Caras morenões, como eu, só podem ficar no sol, no alerta máximo, durante 11 minutos. Pelo semáforo, eu só poderia sair de casa entre 7h e 10h e depois das 18h.

- Não alimente as crianças no museu, em sua maioria súditos do reino de Sarkozy e Carla Bruni. Uma criança, o Nicolas, reclamou de os vasos incas estarem quebrados. Sua mãe respondeu: É que eles são muito velhos. Depois, ele quase arrancou os cabelos, de verdade, é sério. Ele não entendeu o vai e vem de civilização que vai, que vem, de inca, boliviano, atacamenho. Ele só entendeu quando os espanhóis chegaram.

- Uma família de São Paulo, que comeu prosciutto no deserto, era liderada por um pai empolgado com a aula de história de si para si mesmo. Ele via a filha apontar para tudo “o que é isso, pai?” e não ler nada.

- Há uma coleção de livros do padre-fundador do museu, mas ela não pode ser consultada.

- As crianças andam pela cidade em um carrinho coberto com um pano úmido.

- Os preços da cidade são um tanto extorsivos. Lembra Jardins. A não ser que você coma no McDonalds local, que serve variações de frango com batata frita. Fica na esquina da praça central. Mata a fome.

- San Pedro é legal à noite, mas fica melhor com lanternas.

- Insalata versão San Pedro é uma salada com uma folha de alface, 1/32 de tomate e o,02% de pepino. Essa é a versão camponesa. Na próxima vez, vou pedir uma burguesa-industrial.

- Pisco, a bebida local, esquenta.

- Nunca pensei que um monte de sal junto sobre a terra fosse tão bonito. Com água, sem água, quiçá, quiçá, quiçá…

- Boiar sem esforço em uma lagoa de 18 metros de profundidade, a Cejar, é legal. Você se sente como um pedaço de carne na spa. Mas, alerta: a Laguna Cejar é o Boqueirão do deserto. Gente pra cacete.

-  As escolas de samba se dividem por grupos: os jovens, os da periferia e os bolivianos.

- Os bolivianos são um capítulo a parte. Um pouco mais para cima e, muitos anos atrás, aquilo tudo era Bolívia _que até hoje tem uma guerra fria com o Chile em nome de uma saída para o mar. A isso soma-se que os bolivianos são vistos como mão de obra barata para os chilenos _que são, em sua maioria, descendentes de pessoas que nasceram naquele território quando ali era Bolívia. 

- Rola uma Operação Belezura na periferia de San Pedros. Muros brancos, fachadas bem cuidadas, mas as casas usam tetos de papelão e zinco.

- Tem um campo de futebol sintético na cidade. É o único lugar em que o verde é verde mesmo.

-  Sal corta o pé porque é pontudo. Sal também provoca turbulência no carro.

- A cidade usa um jornal-mural, espalhado pelos bares e pelas cooperativas, como a de energia elétrica.

- Os adolescentes franceses, em vez de gírias, usam palavras de trás para frente.

- A água vai e volta, sem avisar. 

- Às 7h, a temperatura, no verão, é de cerca de 5 graus. Às 8h25, já passa dos 25 graus.

- Teve uma festa, no sábado, no estádio da cidade. O som foi até 3h, com reggaeton e dance music. Ouvimos tudo do albergue, distante uns 10 minutos de lenta caminhada. 

- Toconao: 504 habitantes.

- E no meio do deserto tem um campo de futebol.

- Comi carne de cervo e de lhama. Recomendo.

- Nas lagoas altiplânicas, os peixes eram frequentes. Exercícios militares da tchurminha do barulho do Pinochet encheu a água com chumbo dos tiros. Os peixes acabaram. 

- A “erva brava” verde, que nasce a grandes altitudes, ajuda a melhorar a respiração. É melhor que chá de coca. 

- No restaurante onde comemos, em Socaire, há a “Virgem de Tirana”. A igreja foi destruída por um terremoto.

- Há 150 vulcões em atividade na região de San Pedro. Quatro estão em atividade. Tem terremoto todo dia.

- Um aviso: os geiseres del Tatio vão acabar. O governo do Chile está tentando transformar a atividade vulcânica em energia elétrica. Tentaram isso nos anos 60. Há um monte de tubo enfurrajado pelos geiseres. 

- Rio Grande: 93 habitantes. Nessa cidade, no Carnaval, burrinhos e lhamas andam com as patas dianteiras amarradas, para não correrem. 

- Sincretismo religioso, por exemplo, é louvar a Pachamama no pátio da paróquia durante o Carnaval. 

- Ser turista é constrangedor. Você é tentado a tirar foto de tudo. Transforma gente em retrato. Até que alguém se irrita…

- A 1ª vez que os morados de San Pedro falaram conosco foi após tomarmos um banho de farinha na Pukara de Iquitor, no Carnaval. Sem querer, fomos parar em uma festa de carnaval em uma comunidade indígena. Todos estavam bem bêbados e cheios de farinha. Eles jogaram farinha na gente, deram vinho para bebermos, nos convidaram para virar a noite com eles, mas declinamos o convite porque precisávamos devolver as bicicletas. Ah, um detalhe: quando eles jogam a farinha, dizem “te conquisto” (é um referência, segundo eles, aos espanhóis…). Na volta, de bicicleta, todo mundo ria da gente. Mas conversava. Até o cara durão que emprestou a bicicleta. A viagem se dividiu entre antes e depois do banho de faria. Fomos conquistados pelos índios.

- Nas curvas e nos morros e nos defiladeiros há uma placa que alerta para o perigo de deslizamento: um carro é atingido por um chuva de meteoritos.

- Na quarta-feira de cinzas, as pessoas colocam o suco da uva verde no olho para chorar o fim do Carnaval.

- Rally do Dino: nosso guia pelo Salar de Tara, o melhor passeio de San Pedro, é um ex-navegador de rallys. Ele é italiano e sempre faz o caminho mais difícil. Costuma fazer uma aposta quando os turistas reclamam da refeição moderada servida a 45oo metros de altitude: se você comer algo pesado e não vomitar, eu te pago a cerveja. Se você vomitar, você me paga. Dizem que ele nunca perdeu essa aposta.

- Eu atesto. A essa altura, você passa mal e perde o ar só com o esforço da mastigação.

- Na volta, entre San Pedro e Calama, toca Alexandre Pires em espanhol.

- A aeromoça do voo Calama-Santiago se chama Carolina Pinochet.

***

As notas sobre San Pedro ficam por aqui. Talvez algum disse dessa semana eu coloque o endereço do meu flickr, assim que descarregar as fotos.

Mas é provável que, antes disso, eu coloque neste blog um texto sobre “Slumdog – Quem Quer Ser um Milionário?”, o filme indiano que ganhou o Oscar.

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Notas sobre a viagem ao deserto do Atacama – 1

Fevereiro 28, 2009 · 2 Comentários

- No aeroporto de Guarulhos, no guichê da Lan Chile, um vendedor olhou para mim e falou: “Tiavero de Brasil?” Não, obrigado.

- O aeroporto de Santiago é encarpetado na área de embarque e desembarque. A área de desembarque é como a estação Jabaquara do metrô de São Paulo. Muita gente falando ao mesmo tempo, táxi, lotação…

- O elevador do aeroporto às vezes quebra e só tem escada rolante no último piso e na menor distância, que liga a área de check-in ao restaurante “Gatsby: buffett e café”.

- Americanos, canadenses, mexicanos, australianos (neozelandeses?) e albaneses pagam para entrar no Chile. É a taxa de reciprocidade.

- Toca reggaeton no celular da fiscal da polícia de imigração chilena.

- O aeroporto de Santiago não tem relógio.

- Pronto, agora é Calama, depois de quase duas horas de voo e choro de crianças no avião que saiu da capital chilena. É a cidade (pequena, perto do deserto) do Cobreloa,  time que já chegou à final da Libertadores (isso não é uma alfinetada no Corinthians).

- A noite é tão fria e seca que até o meu dente do siso parou de doer. Não sei se tem relação.

- Pessoas brancas vendem camisetas pedindo autonomia para os índios mapuche (que são caras durões e tem uma relação conturbada com o governo do Chile).

- “Eu sou o garoto fofinho”, disse o guia do primeiro passeio. Ok.

- Eu e um chileno que mora na França conversamos sobre a crise financeira internacional no meio de uma cordilheira de sal em uma língua que guardava pouco parentesco com o português, o espanhol e o francês, mas que tinha elementos das três línguas.

- As cavernas da cordilheira de sal têm preconceito contra pessoas com mais de 50 cm de altura e 10 quilos.

- Todo mundo lambe a pedra de sal até saber que tem arsênico.

- Um grupo de moças fazia trekking com sapatinho/sapatilha (com lacinho, lindo) e havaiana modernosa.

- Um alemão (sueco? holandês?) gostou de imitar um macaco para escutar o eco no Vale da Lua.

- A garçonete da pizzaria nos atende e namora pelo celular via SMS.

- O bar tem uma fogueira dentro.

- As pessoas comem pizzas em pedaços de madeira.

- Os adolescentes de San Pedro do Atacama também são emos.

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Este blog voltou, o boêmio voltou

Fevereiro 26, 2009 · 2 Comentários

Este blog voltou depois de uma temporada de, no mínimo, 2500  metros de altitude, com picos de 4800 metros. O nariz sangra um bocado, o ar rarefeito dá uma dor de cabeça danada, a temperatura varia de 0 a 30 graus. E mesmo assim eu voltaria a San Pedro do Atacama, povoado por menos de 2 mil pessoas, no coração do deserto do Atacama, no Chile.

A partir de algum dia entre hoje e domingo, este blog fará uma série de textos sobre o deserto. Mas não hoje. Porque o aeroporto de Santiago não é um lugar confortável para dormir.

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Este blog está temporariamente fora de serviço

Fevereiro 17, 2009 · 2 Comentários

Senhoras e senhoras, respeitável público

este blog vai ficar paradão até o dia 26/2. Fará uma incursão pelo deserto.

Um abraço

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Pequenos flashs

Fevereiro 17, 2009 · 1 Comentário

- Enquanto eu lia um guia turístico no ônibus que me leva de volta para casa, uma mulher me observava no banco ao lado. And she said: “Do you need some help?” Não, obrigado. “Desculpe, é que o guia estava em inglês, você é loiro, e São Paulo é uma cidade perigosa…” Normal, acontece. Quando fui a Belém do Pará, em 2003, uma criança puxou o vestido da mãe, apontou o dedo para mim e falou: “Olha, mãe, um gringo, mãe!” No outro dia, ainda em Belém, uma mulher me parou e falou: “Moço, você é de Nova York?”  

- Vocês todos são uns falsos, uns otários. Eu tô com um monte de doença, longe da minha filha, da minha família, só estou pedindo um dinheiro para comprar um pastel, um pão e o que adianta ir na igreja se você não faz piedade? não tem padre pastor que salve a sua alma. Não vai dar? Seu óculos vai quebrar na sua cara, não eu, eu não, mas vai quebrar, e não vai ter motorista ou cobrador que vá ajudar, não vai, e ai ? quem vai me ajudar? vamos lá, gente, fazendo uma caridade para a sua própria alma… (trechos da fala de um homem que entrou no ônibus Terminal Pirituba-Itaim Bibi na tarde desta segunda-feira, 16 de fevereiro de 2008 )

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