The Pompéia Times

Entradas etiquetadas como ‘Alemanha’

Notas desta terça-feira

Setembro 9, 2008 · 4 Comentários

- Os EUA resolveram estatizar uma parte do setor de hipotecas. Vão gastar mais de US$ 200 bilhões. É o mesmo valor (corrigido pela inflação, claro) que o País usou após a 2ª Guerra Mundial para reconstruir a Europa. Pois é. O Plano Bush custa um Plano Marshall.

- O marido da Ana Maria Braga, Marcelo Frisoni, é candidato a vereador em São Paulo. No horário eleitoral, ele tem o mesmo molejo, desempenho e carisma do cigano Igor.

- Nesta quarta-feira, a Suiça testa um acelerador de partículas. Há boatos de que vai surgir um buraco negro, pronto para sugar a Terra. Vou tranquilizá-los. Vocês acham que alguém ia testar algo que pudesse destruir o mundo na Suiça, logo ao lado da Alemanha? A bomba atômica foi testada no Novo México, em um deserto que, após a explosão, virou vidro. A França fez testes no atol de Muroroa.  Além disso, a Suiça é muito sem graça para começar o Apocalipse. São João, que escreveu o último livro da Bíblia, certamente passou longe de vaquinhas, relógios e montanhas nevadas para buscar inspiração.

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O preconceito é um sapato confortável

Junho 26, 2008 · Deixe um comentário

Luiz Raatz e eu tivemos uma discussão via MSN sobre estigmas que atingem descendentes de alemães no Brasil e mundo afora. A história muito pessoal de Raatz torna a discussão mais interessante. Com autorização dele, copio o primeiro parágrafo do post. O texto completo, que recomendo, está neste link.

Além de descendente de alemães, o ex-editor de internacional do iG também é descendente de judeus. Este blog é pró-Estado de Israel (e contra os fundamentalistas do Irã, óbvio) e pró-Palestina (e contra os fundamentalistas de Israel, óbvio também). O texto de Raatz me fez refletir um pouco sobre o horror que essas duas afirmações, juntas, provocam quando o assunto “Oriente Médio” vem à tona em algumas rodas.  O preconceito é um calçado confortável.  

“Eu tinha 19 anos. Saí ‘em duplinha’ com um amigo, uma menina que ele tinha conhecido e a amiga dela. As duas eram judias. A guria que estava comigo surtou e virou a cara quando soube meu sobrenome: Raatz. Eu fiquei com cara de bunda. Afinal, sou brasileiro e não sou – nem nunca fui – racista. Meu tio-avô, uma das pessoas que mais amo no mundo,é filho de judeus russos. No entanto, esta sina sempre me perseguiu desde criança e me enoja. As pessoas me julgam pelo meu sobrenome, como se ele me definisse, apesar da minha família ser uma mistura de alemães, italianos, franceses e brasileiros. ‘Aquele é o Raatz, o descendente dos nazistas’.”

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Clipping de notícias

Junho 26, 2008 · Deixe um comentário

Clérigo egípcio pede que fiéis rezem menos e trabalhem mais
Rodrigo Durão Coelho
Da BBC Brasil no Cairo
A preocupação com excessos na expressão de religiosidade por parte da população egípcia – que estaria afetando a produtividade do país – levou um importante clérigo a recomendar que as pessoas rezem menos e trabalhem mais.

“Rezar é algo bom… 10 minutos devem ser suficientes”, diz a fatwa, ou decreto religioso, de Sheik Yusuf Qaradawi, publicado em sua página na internet.

Apesar de parecer uma contradição – um religioso mandando seus fiéis rezar menos – a fatwa de Qaradawi foi elogiada por outros religiosos, que disseram que o Islã não se opõe à produtividade.

Um estudo do governo concluiu que os 6 milhões de trabalhadores estatais trabalham, de fato, apenas 27 minutos por dia.

Vitória na Eurocopa é comemorada com xenofobia na Alemanha
da Efe, em Berlim
As cidades alemãs de Dresden, Chemnitz e Hannover foram palco de várias demonstrações de xenofobia na noite desta quarta-feira, após a vitória da Alemanha sobre a Turquia pelas semifinais da Eurocopa.

A polícia informou que dois turcos ficaram feridos no ataque de um grupo de jovens radicais contra três restaurantes turcos de fast-food na cidade de Dresden.

Um grupo que tinha entre 20 a 30 pessoas destruiu uma parte da mobília de dois restaurantes turcos no centro de Dresden, enquanto outro estabelecimento ficou praticamente destruído.

Em seguida, o grupo atacou dois turcos que estavam trabalhando nos restaurantes e que ficaram levemente feridos. Os agressores também queimaram bandeiras enquanto vários curiosos assistiam aos ataques sem intervir.

E um texto que eu gostaria de ter escrito.

JANIO DE FREITAS

As raízes no seu chão

LIMITADA A umas poucas palavras, a atitude do Brasil em relação à nova lei da União Européia contra a permanência, em seus países, de imigrantes ilegais é uma forma de aceitação passiva e antecipada de problemas diplomáticos previsíveis. O que, além do mais, inclui descaso pelos dramas de cidadãos brasileiros sujeitos a tratamentos incompatíveis com um mínimo de respeito humano e civilidade.
Uma lei que autoriza a deportação de crianças desacompanhadas dos pais; permite deportação para país que não o de origem do imigrante e, entre mais violações à Declaração dos Direitos Humanos e à Carta das Nações Unidas, prescinde de decisão judicial para manter pessoas em cárcere por ano e meio, é uma lei com origens claras. Suas raízes mais fundas estão na Europa dos anos 30. Na idéia de direitos e poderes provenientes de pretensas superioridades raciais e nacionais. A idéia que fez o espírito do nazismo.

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A Eurocopa acordou meio totalitária – a resposta

Junho 25, 2008 · Deixe um comentário

Leitores deste blog protestaram contra o texto “A Eurocopa acordou meio totalitária”.
Luiz Raatz, ex-editor de internacional do iG, tem um argumento interessante. Sem pedir permissão a ele, reproduzo abaixo. Depois, comento.

“É complicado vincular um torneio de futebol a episódios que envolveram turcos e alemães há 50 e há 100 anos. Por acaso portugueses não massacraram milhões de índios no Brasil durante a colonização? Os colaboracionistas nazistas croatas também têm um passado negro, assim como os fascistas italianos de Mussolini.

Pelo seu raciocínio, praticamente todos os países que avançaram às quartas da Euro não merecem torcida por conta de um passado de assassinatos e violência. Não é bem assim.

É impressionante como na hora de falar da Alemanha todo mundo coloca a segunda guerra mundial na roda. Isso incomoda a todos os alemães e descendentes, como eu, cuja família nada tem a ver com isso, foi perseguida e se envergonha do Holocausto.

E é mais complicado ainda chamar um jogo de festival de genocidas em campo, como no comentário acima. Quem é racista, cara pálida?”

Meu argumento

O historiador inglês Tony Judt, no livro “Pós-guerra, uma história da Europa desde 1945″, conta como os franceses, para ficar em um único exemplo, rebolaram o quanto puderam para negar seu passado nazista. Até hoje se conhece pouco sobre o que Mitterrand, o presidente socialista, fez quando trabalhou na república colaboracionista de Vichy. Os livros acadêmicos logo após a guerra enfatizaram muito mais a resistência francesa do que seu papel na destruição de pessoas. Aconteceu a mesma coisa na Itália. Primo Levi sofreu horrores quando voltou ao País. As pessoas achavam um absurdo que ele, judeu, se achasse mais vítima do que elas, que também sofreram na guerra.

Tendemos a tentar esquecer o que é desagradável. Eu sou descendente de italianos. Até hoje, vira e mexe, alguém lembra do fascismo que assolou o País dos meus antepassados (e do Berlusconi no presente). É difícil responder. Isso me incomoda também. O que raios eu tenho a ver com o fascismo?

Raatz, obviamente, não defende o esquecimento dos horrores. É um humanista. Cada País, óbvio, tem algo do qual se envergonhar. O ponto que ele levanta, a meu ver, não é do esquecimento, é muito mais importante: os cidadãos desses países que cometeram os horrores mais recentes e seus descendentes sofrem até hoje. Alguns foram perseguidos, mas ainda assim respondem por acontecimento os quais seus antepassados se esforçaram para que não tivessem acontecido. Não é justo com eles, claro.

Portanto, é possível falar de uma responsabilidade coletiva, que atravessa gerações ? A resposta não é fácil. De um lado, a tentação do esquecimento e da relativização do sofrimento alheio. Do outro, imputar sofrimento a indíviduos que, objetivamente, não tiveram nada a ver com isso. Infelizmente, diante de tão pouco tempo após tantos horrores, ainda estamos presos a algum dos dois extremos. 

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A Eurocopa acordou meio totalitária

Junho 23, 2008 · 4 Comentários

Em uma semifinal, a Alemanha dos 6 milhões de judeus massacrados pelo horror nazista contra a Turquia, herdeira do Império Otomano que matou cerca de 1,5 milhão de armênios. Do outro, a Rússia de Stálin e gulags contra a Espanha de Franco e os massacres da Guerra Civil.

É a mesma Alemanha que tem em dois poloneses suas principais esperanças de gol, justo eles, do país no qual a Alemanha montou o campo de concentração de Auschwitz. A Espanha tem um governo que tenta liberalizar costumes e um técnico que convoca um negro, Marcos Senna, nascido no Brasil, para disputar a Eurocopa.

Agora, a Turquia e a Rússia…

A Turquia insiste em não reconhecer o massacre contra os armênios. A seu favor, ao menos, a resistência ao fundamentalismo islâmico, a separação (com vigor) entre Igreja e Estado e os dois jogadores nascidos na Alemanha, além de um brasileiro, em sua seleção. A Rússia é o inimigo a ser batido. A base do time é o Zenit, time que não contrata negros. O dono da equipe é o presidente do País. A Rússia é aquele País que sempre quer ser um império, não importa a cor da bandeira. Eu não gostaria de ver o Putin comemorando a conquista da Eurocopa.

Nesta semifinal, a Espanha é Mundo Livre S/A contra os presentes sombrios e os passados totalitários. Tem o apoio deste blog. Embora seja meio estranho gritar “Vai, Fúria!”

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A Eurocopa tem a cara do Campeonato Brasileiro

Junho 17, 2008 · 7 Comentários

Seis seleções européias e seis times brasileiros têm tudo a ver. Nestes dias difíceis, futebol é o único assunto sobre o qual me atrevo a escrever.

Palmeiras é a Itália: italianos fundaram o Palestra Itália, e isso já seria o bastante. Mas, além disso, italianos gostam de uma fila (a Itália ficou sem ganhar uma Copa do Mundo entre 1938 e 1982 e depois entre 1982 e 2006), perdem em casa (Copa do Mundo de 1990), são caóticos e tem uma torcida que só admite um estilo de jogo (Palmeiras, Academia, Itália, retranca). Adoram ganhar do São Paulo da Europa, a França, mas acreditam que o verdadeiro rival é a Espanha _principalmente porque os dois países têm as duas ligas de futebol mais importantes do planeta. O Palmeiras ganhou um Mundial em 1951, contestado, e a Itália forçou a vitória nas duas Copas da década de 30 com métodos, digamos, pouco ortodoxos.

Corinthians é a Espanha: sua torcida apaixonada e fiel admira a raça em vez da técnica e idolatra jogadores que não fariam sucesso em nenhum outro lugar, como Herrera, Raul, Mirandinha e Guardiola. A Fúria vai aos trancos e barrancos, tem boas categorias de base, alterna campanhas excelentes com nulidades esportivas e sempre é desclassificada nos momentos decisivos. Como o Corinthians, pertence à Série B das seleções européias _mas, ao menos, a seleção já ganhou um campeonato continental, lá em 1964.

São Paulo é a França: os tricolores orgulham-se do seu cosmopolitismo, do biquinho e da baguete. O principal jogador da história recente do São Paulo foi ídolo do Paris Saint-German. Desde a aposentadoria de Zidane (ou a saída de Danilo), não têm um meia decente. Eram praticamente nada em termos futebolísticos até os anos 90, quando faturaram o Mundial. Têm um currículo vitorioso que inclui Eurocopas e Olimpíadas, mas nunca conseguem encher um estádio.

Santos é Portugal: tiveram sucesso na década de 90 e no anos 2000. Nunca caíram, e o time ainda pode dizer que, ao menos, ganhou dois mundiais _em uma época em que eles não significavam tanto assim. São times, geralmente, de um jogador só: Pelé, Eusébio, Robinho, Cristiano Ronaldo.

Flamengo é a Alemanha: donos das maiores torcidas (a Rússia não conta), são odiados por todos os rivais porque tentam anexá-los o tempo inteiro (o Flamengo tem quase metade da torcida do Rio) e ganharam muitos títulos. Nos últimos anos, amargaram derrotas vexatórias para times ridículos. O Flamengo perdeu a Copa do Brasil para o Santo André e a Alemanha conseguiu perder da Bulgária em 1994. Também adoram perder em casa. O Flamengo, para o América pela Libertadores. A Alemanha, pela Itália na Copa do Mundo.

Botafogo é a Holanda: odeia o Flamengo, joga bonito, mas sempre perde no final. É a associação mais fácil depois de Palmeiras e Itália.

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