Sigo a série “Quem não se comunica se estrumbica” e apresento a vocês, senhores cidadãos mui respeitáveis, mais dois posts, esses bem antigos, de quando o Corinthians ainda, ao menos, conseguia fazer um gol no Palmeiras. São do ano da graça de 2004. Do encarapuçado blog “Senhoras de 60″, a primeira página que tive em vida, de quando eu e meus amigos conspirávamos para fazer a revolução enquanto, na vitrola, alguém cantava: “Dança da manivela! Sai do chão! Sai do chão!”
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Histórias de auto-ajuda
Na casa 902 da avenida Angélica, a senhorita Luciana Gomes de Almeira discutia com o marido, senhor Bruno Casovicci de Almeida, sobre como seria a relação depois que o muro no meio da cama onde dormiam fosse construído. A questão era: como seria o muro?
Segundo Luciana, “não há construção que dure sem tijolos”. Para ela, blocos sobrepostos com cimento não eram suficientes para garantir a durabilidade da obra. Também se irritava com a provável sujeira de cimento no lençol que ficava em sua parte do muro. “Cimento não sai com água e sabão”, repetia, aos berros, para o marido.
Impassível, Bruno não abria mão das heras. Dizia que poderiam amortecer possíveis batidas de cabeça durante a madrugada. E que depois de crescidas, a beleza apagaria qualquer lembrança de mancha em lençois. “Podemos comprar outros”, gritava, colocando a cabeça pela janela.
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Segunda-feira, Março 22, 2004 O pós
Da série “diálogos contra a PUC e contra a professora Lucia Santaella”. Ah! e contra o professor Carlos Gosta, que curte esse tipo de masturbação semiótica
Em uma pós-casa, em uma pós-rua, pelos arredores da PUC. Pode ser a pós-Monte Alegre, para melhor ajudá-lo a compreender este pós-diálogo
Pós-humano conversa com pós-humana: que tal uma beijoca?
Pós-humana fala para pós-humano: Via chat?
Pós-humano olha para uma pós-fotografia no computador: Quero algo mais, digamos, pré. Que tal uma beijoca em um motel de beira de estrada, fedorento.
Pós-humana fala para pós-humano: Mas isso já é pós! é in! Um motel fedorento reflete a re-significação dos signos populares. É o sexo depois do luxo. É o pós-sexo.
Pós-humando, sem nada entender, responde: Não, não, é só sexo em um lugar sujo.
Pós-humana (agora ela evoca ares de professora do departamento de Comunicação da PUC): Você não entende. Quando me propõe uma beijoca mas na verdade quer sexo em um lugar de cultura popular, você quer o pós-sexo. Você não quer só mais o sexo, mas o significado simbólico do sexo. E isso porque você olhou para uma pós-fotografia da Tomb Raider! Aqueles signos dissociados, aquela imagem produzida pelo computador sem nenhum referencial da realidade objetiva – se é que existe realidade objetiva – te despertou a pós-libido. Que é não a libido em si, mas o significado simbólico da libido.
Pós-humando responde, desanimado: Agora entendi. Você está com dor de cabeça.
Pós-humana corrige e pede: Pós-dor-de-cabeça. Me veja um pós-Doril.