The Pompéia Times

Entradas etiquetadas como ‘capitalismo’

Diálogo no MSN

Setembro 29, 2008 · 1 Comentário

Luiz  - Abra uma cerveja e assista ao fim do capitalismo diz:

é o fim do capitalismo, meu amigo

Leandro diz:

não creio, meu caro

Leandro diz:

veja

Leandro diz:

o Partido Republicano é tudo

Leandro diz:

menos anticapitalista

Leandro diz:

se eles votaram contra o pacote

Luiz  - Abra uma cerveja e assista ao fim do capitalismo diz:

é

Leandro diz:

o que a gente talvez esteja vendo

Luiz  - Abra uma cerveja e assista ao fim do capitalismo diz:

o q eu admiro nos americanos é q eles respeitam o dinheiro publico

Leandro diz:

é o começo do fim de uma etapa do capitalismo

Luiz  - Abra uma cerveja e assista ao fim do capitalismo diz:

sim,sim

Leandro diz:

que começou nos anos 70

Luiz  - Abra uma cerveja e assista ao fim do capitalismo diz:

 do capitalismo financeiro

Leandro diz:

com o final do sistema Bretton-Woods

Leandro diz:

o ocaso do Bush

Leandro diz:

pode trazer à tona velhas soluçõe

Leandro diz:

eliminando o monte de sufixo “neo”

Luiz  - Abra uma cerveja e assista ao fim do capitalismo diz:

é… na verdade o q rola é uma gangorran né

Leandro diz:

neoliberal, neoconservador, nova esquerda

Luiz  - Abra uma cerveja e assista ao fim do capitalismo diz:

 mais estado/menos estado

Luiz  - Abra uma cerveja e assista ao fim do capitalismo diz:

agora a era do ‘menos estado’ ta acabando de novo

Leandro diz:

está mais ou menos

Leandro diz:

na França, o Sarkozy foi eleito para diminuir o tamanho do Estado

Leandro diz:

o que talvez a gente esteja vendo

Leandro diz:

é o surgimento de um novo modelo de intervenção do Estado na economia

Luiz  - Abra uma cerveja e assista ao fim do capitalismo diz:

sim, pode ser

Leandro diz:

é sintomático que o velho partido republicano

Leandro diz:

não queira colocar dinheiro na brincadeira

Luiz  - Abra uma cerveja e assista ao fim do capitalismo diz:

é

Luiz  - Abra uma cerveja e assista ao fim do capitalismo diz:

é o q eu tava falando

Luiz  - Abra uma cerveja e assista ao fim do capitalismo diz:

 la eles respeitam o dinheiro publico

Luiz  - Abra uma cerveja e assista ao fim do capitalismo diz:

 na materia do times tem um paragrafo mto bom

Luiz  - Abra uma cerveja e assista ao fim do capitalismo diz:

Opponents said the bill was cobbled together in too much haste and might amount to throwing good money from taxpayers after bad investments from Wall Street gamblers.

Leandro diz:

não há dúvida

Leandro diz:

é isso

Leandro diz:

as pessoas não estão convencidas

Leandro diz:

de que o pacote do Bush vá evitar uma crise maior

Leandro diz:

na verdade, elas vêem o problema como algo localizado nos bancos

Luiz  - Abra uma cerveja e assista ao fim do capitalismo diz:

sim

Leandro diz:

ou seja

Leandro diz:

abra mais uma cerveja

Luiz  - Abra uma cerveja e assista ao fim do capitalismo diz:

bah

Luiz  - Abra uma cerveja e assista ao fim do capitalismo diz:

 eu quero ver a casa cair

Leandro diz:

porque o fim do capitalismo está longe que é uma beleza

Categorias: humanidade
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Os ricos, ou como a lei Rouanet é mais relaxante do que a Suiça

Junho 19, 2008 · 1 Comentário

A BBC publicou um texto hoje de manhã cujo título é “Homens metidos fazem mais sucesso com as mulheres, diz estudo”. Os pesquisadores defendem que a agressividade encanta, por razões biológicas que eu não me sinto confortável em explicar. Só em exemplificar.

Estava eu, às 10h50, com meus três pães de queijo e um mate batido em uma discreta Casa do Pão de Queijo na avenida Faria Lima, dois quarteirões para cima da rua Amauri. Sonolento, via pela janela carrões entre bananeiras, modelos entre macieiras, executivos entre pereiras, eita vida confortável, meu Deus. Ao meu lado, um rapaz não encontrava se remexia no sofá de couro fino.

Entra um homem de cabelos jogados para trás, calça jeans, blazer, camisa, jeito de quem acabou de sair do banho. O rapaz que até então ia para um lado e outro pára. O senhor x, como vamos passar a chamá-lo, lamenta o atraso. Diz que teve um compromisso profissional que lhe tomou mais tempo do que o previsto. O rapaz y quase pede desculpas por ele marcar em um horário que fez o senhor x chegar atrasado. O rapaz y apresenta seus projetos ao senhor x, os quais eu não consigo prestar atenção. Ele falava baixo, arrastava a voz como quem sobe uma duna no Ceará.

O senhor x começa sua exposição. Só faltou o PowerPoint. As cifras possuem as construções gramaticais com elegância e clareza. Ele discorre sobre os projetos de construção de condomínios de luxo no Nordeste, sobre como começou a carreira em um banco de investimentos, como diversificou os negócios.

O senhor x fala como alguém que deixa tudo acontecer naturalmente. Abriu o primeiro negócio com a ajuda de um cunhado que é presidente de uma grande empresa de cartão de crédito. Avançou com uma mãozinha de um primo.Conseguiu licenças ambientais em Mossoró pressionando deputados federais, vereadores, o prefeito. Ele fala sempre no mesmo tom de voz, manso, calmo, simpático, mas com entusiasmo e firmeza.

 Ele até escreveu um livro sobre zenbudismo que vai chegar às livrarias em dois meses com dinheiro da lei Rouanet. “Pude me dedicar ao livro por um ano e meio por causa da lei”, ouvi a frase com clareza, com tal regozijo que a lei pareceu melhor do que a Suíça. Ele descrevia o livro como um projeto de férias. O rapaz y foi se retraindo no sofá, como se as palavras o espremessem.

Eu também não agüentei tanto sucesso. Pedi a conta, sai. Eles ficaram lá, enquanto eu olhava para o céu azul e via um helicóptero pousar. O senhor x deve fazer muito sucesso entre as modelos que passeiam pelo Itaim. Ele tem aquele charme típido de quem é preso por uma operação da Polícia Federal, reclama das algemas e depois de cumprir cinco anos de pena em regime semi-aberto vende a sua história para a editora de algum amigo. 

Categorias: São Paulo · antropologia
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Só os doentes são normais

Junho 18, 2008 · 1 Comentário

Nossa equipe de reportagem desenvolveu uma investigação ao longo dos últimos 25 anos para descobrir por que as doenças assumiram o papel que, nos últimos mil anos, era reservado à ideologia ou à religião.

Com o fim do comunismo e o crescimento dos agnósticos e ateus, o mundo agora se divide entre os bipolares e os não-bipolares, entre as pessoas com ejaculação precoce e os impotentes, entre os depressivos e os eufóricos, entre os com problemas asmáticos e os com distensão muscular. Nós nos definimos pelas doenças que julgamos ter. O jornal “Valor Econômico”, por exemplo, publicou um texto na semana passada apenas para explicar aos seus leitores por que eles NÃO são bipolares.

Viver em cidades tão poluídas e cinzentas como São Paulo e outras metrópoles espalhadas planeta afora provoca uma série de problemas de saúde, na mente e no corpo. Novas doenças surgiram a partir dos anos 80, como a AIDS. Algumas epidemias parecem que nunca vão desaparecer, como a dengue, a febre amarela e a malária. Desastres naturais em países pobres fazem ressurgir enfermidades, como em Mianmar e na China. O excesso de trabalho e de pressão fez aumentar os casos de depressão. Há um fantasma assolando o mundo. O fantasma da cama, da doença.

Temos meios de combater todos esses males. Cientistas descobrem como controlar os efeitos de doenças sem cura, como a AIDS, ou de curar enfermidades que pareciam incontornáveis, como a tuberculose e a febre amarela. Sem falar nas epidemias. O que surpreendeu no Rio não foi a dengue em si. Foi o fato de que, apesar do número de controles disponíveis, os governos não barraram o contágio em massa. Hoje, a depressão e a bipolaridade são reconhecidas como doenças e há remédio para o tratamento.

As razões para o medo, portanto, são pequenas. É mais fácil, hoje, uma pessoa ser vítima da violência, da pobreza , de um acidente do que de uma doença.

Por que, então, a doença passou a ter um papel tão central nas nossas vidas? Arrisco um palpite. Porque a morte passou a ser muito mais temida do que no passado _ao menos nessa metade do mundo que chamamos de Ocidente e nas suas áreas de influência, como o Japão e algumas áreas da China.

Sentimos que a morte nos privará das muitas coisas que estão acontecendo ao mesmo tempo agora. Deixaremos de consumir novos produtos, de viajar, de mudar de emprego, roupa, casa, de ver os filhos crescer. Poucas pessoas, ou grupos de pessoas, hoje, morreriam por um ideal nos EUA, Europa, Brasil, Japão (excluo o mundo islâmico por motivos óbvios): o senso comum diz que todo ideal é relativo, pode ser bom ou não, é incerto. A “sabedoria convencional” ensina que a vida depois da morte pode existir ou não. O problema é a palavra “pode”, nas duas frases. Enfraquece qualquer crença.

Com o fim dos tempos das grandes idéias, seculares ou religiosas, queremos prolongar ao máximo a nossa estada no único lugar em que a maior parte das pessoas acredita existir de verdade: este mundo. É a vitória de Descartes, gostemos ou não: Penso, logo existo. Ser doente, ou cogitar ter alguma doença, é condição para ser uma pessoa normal. Isso não é um julgamento. Infelizmente, é só uma constatação

Categorias: filosofia
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