The Pompéia Times

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Esquenta a briga na segunda divisão

Outubro 1, 2008 · 1 Comentário

Como todo leitor deste blog bem sabe, eleições costumam ser muito mais divertidas do que jogos de futebol.

Soninha e Maluf, por exemplo, tal como um típico jogão da Segunda Divisão, Corinthians versus Vila Nova (naquele que já foi apelidado de o “maior clássico do bairro do Jardim Nova Mercedes”), foram ao embate aberto, sem zagueiros, volantes ou laterais. Em uma alteração a la Paulo Bonamigo (três batidinhas na madeira!), substituíram o lateral-direito por um centroavante, o lateral-esquerdo por um meia ofensivo e, incorporando Geninho, ouço-os gritar: “Pega! Pega!”

A candidata do PPS lançou a campanha “Vamos vencer o Maluf”, com direito a banner no site.  Maluf não deixa por menos, e, além de dizer ter piedade das velhinhas que seriam obrigadas a usar bicicletas, se Soninha fosse eleita (a pepessista desmentiu a acusação do debate da Record), ainda abusa no seu site de troças com a ex-apresentadora de TV. A disputa é ver quem tem mais de 7% dos votos válidos no próximo domingo. 

O vencedor promete colocar uma bicicletinha ou uma freewayzinha na camisa se vencer a parada. A inspiração veio de um diretor do Corinthians, que defende mais uma estrela na camisa alvinegra, em caso de conquista da tão desejada taça da Segunda Divisão. A informação, claro, é do Juca Kfouri sem PhD.

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A Eurocopa tem a cara do Campeonato Brasileiro

Junho 17, 2008 · 7 Comentários

Seis seleções européias e seis times brasileiros têm tudo a ver. Nestes dias difíceis, futebol é o único assunto sobre o qual me atrevo a escrever.

Palmeiras é a Itália: italianos fundaram o Palestra Itália, e isso já seria o bastante. Mas, além disso, italianos gostam de uma fila (a Itália ficou sem ganhar uma Copa do Mundo entre 1938 e 1982 e depois entre 1982 e 2006), perdem em casa (Copa do Mundo de 1990), são caóticos e tem uma torcida que só admite um estilo de jogo (Palmeiras, Academia, Itália, retranca). Adoram ganhar do São Paulo da Europa, a França, mas acreditam que o verdadeiro rival é a Espanha _principalmente porque os dois países têm as duas ligas de futebol mais importantes do planeta. O Palmeiras ganhou um Mundial em 1951, contestado, e a Itália forçou a vitória nas duas Copas da década de 30 com métodos, digamos, pouco ortodoxos.

Corinthians é a Espanha: sua torcida apaixonada e fiel admira a raça em vez da técnica e idolatra jogadores que não fariam sucesso em nenhum outro lugar, como Herrera, Raul, Mirandinha e Guardiola. A Fúria vai aos trancos e barrancos, tem boas categorias de base, alterna campanhas excelentes com nulidades esportivas e sempre é desclassificada nos momentos decisivos. Como o Corinthians, pertence à Série B das seleções européias _mas, ao menos, a seleção já ganhou um campeonato continental, lá em 1964.

São Paulo é a França: os tricolores orgulham-se do seu cosmopolitismo, do biquinho e da baguete. O principal jogador da história recente do São Paulo foi ídolo do Paris Saint-German. Desde a aposentadoria de Zidane (ou a saída de Danilo), não têm um meia decente. Eram praticamente nada em termos futebolísticos até os anos 90, quando faturaram o Mundial. Têm um currículo vitorioso que inclui Eurocopas e Olimpíadas, mas nunca conseguem encher um estádio.

Santos é Portugal: tiveram sucesso na década de 90 e no anos 2000. Nunca caíram, e o time ainda pode dizer que, ao menos, ganhou dois mundiais _em uma época em que eles não significavam tanto assim. São times, geralmente, de um jogador só: Pelé, Eusébio, Robinho, Cristiano Ronaldo.

Flamengo é a Alemanha: donos das maiores torcidas (a Rússia não conta), são odiados por todos os rivais porque tentam anexá-los o tempo inteiro (o Flamengo tem quase metade da torcida do Rio) e ganharam muitos títulos. Nos últimos anos, amargaram derrotas vexatórias para times ridículos. O Flamengo perdeu a Copa do Brasil para o Santo André e a Alemanha conseguiu perder da Bulgária em 1994. Também adoram perder em casa. O Flamengo, para o América pela Libertadores. A Alemanha, pela Itália na Copa do Mundo.

Botafogo é a Holanda: odeia o Flamengo, joga bonito, mas sempre perde no final. É a associação mais fácil depois de Palmeiras e Itália.

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Como o futebol nos encastela em Daslus particulares

Junho 12, 2008 · 1 Comentário

Eu me ufano de ser palmeirense. Gosto do meu estádio, o Palestra Itália. Meu time ganhou muitos títulos. Meu time foi o primeiro que subiu da Segundona para a Séria A sem virada de mesa. O técnico que passou pelo meu time fez o Brasil ganhar o penta _viva Felipão. Marcos, Arce, Antonio Carlos, Cleber, Roberto Carlos, Cesar Sampaio, Mazinho, Alex, Rivaldo, Edmundo, Evair, Velloso, Cafu, Roque Junior, Henrique, Junior, Flavio Conceição, Pierre, Djalminha, Zinho, Valdivia e Paulo Nunes jogaram no Palmeiras.

Dito isso, aos fatos. Tem sido muito difícil torcer ultimamente. Pelo menos, do meu jeito. Eu não tenho essa pretensão que já foi alemã, russa, japonesa, chinesa e ainda se esconde nos recônditos de todo o país (ou vocês acreditam na passividade da Áustria ou na recente humildade da Argentina?) de… (entonação Pinky e Cérebro) DOMINAR O MUNDO (caixa alta é maneiro para dar uma amostra do drama).

O futebol sempre foi um lugar propício para reunir chatos de toda espécie. Pessoas frustradas descarregam xingamentos e ofensas. Pessoas amarguradas se tornam obsessivas com um lance ou outro. Futebol é importante. Futebol é legal. Eu fico de mau humor quando meu time perde, lógico. Mas há algo muito ruim acontecendo recentemente.

Estamos remoendo e remoendo e remoendo os resultados, como se o passado não… passasse.  Os jogos estão se eternizado, provocam uma bolha de sentimentos que estouram aos poucos, passa a passo, e deságuam em violência. Eu quero levar, um dia, minha irmã para ver Palmeiras e Corinthians, Palmeiras e São Paulo, Palmeiras e Santos. Hoje, não dá. Desde o começo dos anos 90 que não dá. Dos mais pobres aos mais ricos, a violência verbal se tornou rotina. A física sempre é questão de tempo. Explode sem avisar. Não gosto de esperar pelo pior.

Meu palpite para o crescimento das qualidades negativas dentro do futebol não é nada científico. Nos últimos anos, muitos torcedores de futebol viveram um surto de arrivismo, o vencer a qualquer preço, fruto um pouco do espírito do tempo, da competição exacerbada que invade todas as esferas da vida, da lei na qual o mais forte sempre deve acabar com o mais fraco. Fisicamente, se possível.

Os argumentos se tornaram cada vez mais primitivos. Mesmo os colunistas esportivos que esbanjavam um pouco de bom senso se encastelaram em seus ódios e birras particulares. Os torcedores reagem contra eles. Vira uma pancadaria tendo a mídia, que é meio, como objeto.  Tudo se espalha internet afora. É um tiroteio, quase semiótico, generalizado, que transborda pouco a pouco para o mundo real.

Não comemoro mais derrotas de adversários futebolísticos publicamente. Entrei no meu condomínio particular. É uma pena ver o “Daslu way of secutiry” aplicado ao esporte do qual gosto tanto.

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