The Pompéia Times

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A Eurocopa acordou meio totalitária

Junho 23, 2008 · 4 Comentários

Em uma semifinal, a Alemanha dos 6 milhões de judeus massacrados pelo horror nazista contra a Turquia, herdeira do Império Otomano que matou cerca de 1,5 milhão de armênios. Do outro, a Rússia de Stálin e gulags contra a Espanha de Franco e os massacres da Guerra Civil.

É a mesma Alemanha que tem em dois poloneses suas principais esperanças de gol, justo eles, do país no qual a Alemanha montou o campo de concentração de Auschwitz. A Espanha tem um governo que tenta liberalizar costumes e um técnico que convoca um negro, Marcos Senna, nascido no Brasil, para disputar a Eurocopa.

Agora, a Turquia e a Rússia…

A Turquia insiste em não reconhecer o massacre contra os armênios. A seu favor, ao menos, a resistência ao fundamentalismo islâmico, a separação (com vigor) entre Igreja e Estado e os dois jogadores nascidos na Alemanha, além de um brasileiro, em sua seleção. A Rússia é o inimigo a ser batido. A base do time é o Zenit, time que não contrata negros. O dono da equipe é o presidente do País. A Rússia é aquele País que sempre quer ser um império, não importa a cor da bandeira. Eu não gostaria de ver o Putin comemorando a conquista da Eurocopa.

Nesta semifinal, a Espanha é Mundo Livre S/A contra os presentes sombrios e os passados totalitários. Tem o apoio deste blog. Embora seja meio estranho gritar “Vai, Fúria!”

Categorias: Eurocopa
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Quatro imagens

Junho 20, 2008 · 1 Comentário

mãe e criançaGuerra Civil EspanholaLego e foto históriaMaradona

O governo da Espanha liberou as fotos do Arquivo Vermelho, tomadas pelos republicanos, socialistas e anarquistas durante a Guerra Civil. As imagens foram aprisionadas pelo governo Franco e ganharam a liberdade neste mês.  O fotógrafo britânico Mike Stimpson recriou, em Lego, imagens como esta acima, do beijo após o fim da guerra, e do gol de mão de Maradona. Mais imagens podem ser vistas aqui e aqui.

Categorias: história
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A Eurocopa tem a cara do Campeonato Brasileiro

Junho 17, 2008 · 7 Comentários

Seis seleções européias e seis times brasileiros têm tudo a ver. Nestes dias difíceis, futebol é o único assunto sobre o qual me atrevo a escrever.

Palmeiras é a Itália: italianos fundaram o Palestra Itália, e isso já seria o bastante. Mas, além disso, italianos gostam de uma fila (a Itália ficou sem ganhar uma Copa do Mundo entre 1938 e 1982 e depois entre 1982 e 2006), perdem em casa (Copa do Mundo de 1990), são caóticos e tem uma torcida que só admite um estilo de jogo (Palmeiras, Academia, Itália, retranca). Adoram ganhar do São Paulo da Europa, a França, mas acreditam que o verdadeiro rival é a Espanha _principalmente porque os dois países têm as duas ligas de futebol mais importantes do planeta. O Palmeiras ganhou um Mundial em 1951, contestado, e a Itália forçou a vitória nas duas Copas da década de 30 com métodos, digamos, pouco ortodoxos.

Corinthians é a Espanha: sua torcida apaixonada e fiel admira a raça em vez da técnica e idolatra jogadores que não fariam sucesso em nenhum outro lugar, como Herrera, Raul, Mirandinha e Guardiola. A Fúria vai aos trancos e barrancos, tem boas categorias de base, alterna campanhas excelentes com nulidades esportivas e sempre é desclassificada nos momentos decisivos. Como o Corinthians, pertence à Série B das seleções européias _mas, ao menos, a seleção já ganhou um campeonato continental, lá em 1964.

São Paulo é a França: os tricolores orgulham-se do seu cosmopolitismo, do biquinho e da baguete. O principal jogador da história recente do São Paulo foi ídolo do Paris Saint-German. Desde a aposentadoria de Zidane (ou a saída de Danilo), não têm um meia decente. Eram praticamente nada em termos futebolísticos até os anos 90, quando faturaram o Mundial. Têm um currículo vitorioso que inclui Eurocopas e Olimpíadas, mas nunca conseguem encher um estádio.

Santos é Portugal: tiveram sucesso na década de 90 e no anos 2000. Nunca caíram, e o time ainda pode dizer que, ao menos, ganhou dois mundiais _em uma época em que eles não significavam tanto assim. São times, geralmente, de um jogador só: Pelé, Eusébio, Robinho, Cristiano Ronaldo.

Flamengo é a Alemanha: donos das maiores torcidas (a Rússia não conta), são odiados por todos os rivais porque tentam anexá-los o tempo inteiro (o Flamengo tem quase metade da torcida do Rio) e ganharam muitos títulos. Nos últimos anos, amargaram derrotas vexatórias para times ridículos. O Flamengo perdeu a Copa do Brasil para o Santo André e a Alemanha conseguiu perder da Bulgária em 1994. Também adoram perder em casa. O Flamengo, para o América pela Libertadores. A Alemanha, pela Itália na Copa do Mundo.

Botafogo é a Holanda: odeia o Flamengo, joga bonito, mas sempre perde no final. É a associação mais fácil depois de Palmeiras e Itália.

Categorias: Futebol
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