Embaixadores de Venezuela e Bolívia celebram no Irã a ‘vitória’ do Hamas
Comemoração foi promovida por representantes do Hamas para comemorar a saída de Israel de Gaza, o que foi definido como uma vitória para o movimento islâmico
TEERÃ, 20 JAN (ANSA) – Os embaixadores da Venezuela e da Bolívia no Irã participaram nesta terça-feira de uma manifestação de estudantes, junto com representantes do Hamas e da Jihad Islâmica, para celebrar o que definiram como uma “vitória” do movimento palestino sobre Israel nos conflitos da Faixa de Gaza.
Segundo a agência Isna, durante o evento, que ocorreu próximo à Universidade de Teerã, os participantes entoaram slogans contra os países árabes que consideram “cúmplices” de Israel, dentre os quais o Egito. Os manifestantes chegaram a pedir que o presidente do país, Hosni Mubarak, fosse enforcado.
Venezuela e Bolívia, que estreitaram suas relações com o Irã nos últimos anos, anunciaram o rompimento das relações diplomáticas com o Estado de Israel, em razão dos conflitos em Gaza, no dia 14 de janeiro.
Israel anunciou que completaria nesta terça-feira a retirada de suas tropas de Gaza, antes da posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama.
COMENTO:
Vocês estão lembrados? A Venezuela e a Bolívia expulsaram os respectivos embaixadores de Israel. Alegaram um suposto bem maior, um protesto, um ato nobre pela paz mundial. Esses países estão com governos macunaímicos. Pedir a “paz mundial” e ir dançar com o governo iraniano, que nega o Holocausto e ninguém sabe se tem ou não bombas atômicas, é sintomático. [início do modo Quico] Só tinha que ser o Chávez mesmo… [fim do modo Quico]
Enquanto isso, no site do PT… (pois é: eles ainda estão se engalfinhando. Era óbvio que uma nota assinada pelo gênio criativo de Valter Pomar não poderia dar certo. Vejam a justificativa que ele usou para comparar Israel aos nazistas: “A nota do PT limita-se a apontar um fato: o exército nazista ficou conhecido por retaliar civis”. Alguém deve ter arrancado todas as páginas do livro de história que o Valter Pomar usa. Tenho a impressão, aliás, que o Genoino as achou. O artigo dele é digno. )
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Via blog Todoprosa, conheço este texto.
É uma reflexão interessante (mas nem por isso necessariamente verdadeira) sobre a degeneração de algumas discussões via internet, que descambam para uma brutalidade em que o menos relevante é estar certo.
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Há livros que são tão bons que mereciam terminar de ser lidos em momentos tão inspiradores quanto as histórias que encerram. Na madrugada de domingo para segunda, enquanto percorria as últimas páginas de Austerlitz, de W.G. Sebald, perdi por um instante o fôlego que me liga à rotina. Senti vontade de passar o tempo olhando pela janela, tentando auscultar as batidas que vinham de todas aquelas pessoas que estavam ao meu redor, ao menos no meu prédio. Como “As Brasas”, de Sandor Marai, Austerlitz é um grande diálogo, uma conversa na qual se percorre os labirintos da memória, aquele terreno pantanoso onde a verdade se dilui em flashes de recordações, pedaços de frases multifacetadas, tiradas do contexto para espantar um ou outro sonho ruim em uma madrugada quente, quando a vontade era não estar atado a uma cama diante das múltiplas possibilidades que os ruídos do mundo afloram nas consciências menos soterradas. Mas, por um átimo, Austerlitz também é muito diferente de “As Brasas”.
Porque a matéria-prima do livro de Marai é aquela área da vida em que a memória se confunde com o rancor. Austerlitz, não, porque a memória não serve de arma, ainda que o livro tenha uma boa porção de história contemporânea em sua composição, o que torna a fronteira entre ficção e realidade ainda mais tênue do que a vida dos personagens que despertam nos livros. Austerlitz me fez sentir e pensar de uma maneira muito parecida com o que vivi quando terminei de ler “Ver: Amor”, do David Grossman, obra em que quatro histórias se entrelaçam: o escritor e o peixe, a Sherazade às avessas, Momik, Bruno Schultz. São recordações que vem à tona para colar os fragmentos dispersos de uma existência caótica. Não são boas nem más lembranças. São parte do nosso patrimônio individual e inalienável. E faz ver o conflito na Faixa de Gaza como uma sucessão de recordações, de histórias, de rancores que são tão letais quanto os mísseis do Hamas e o arsenal de Israel.
Na manhã desta segunda-feira, reli o capítulo referente ao Oriente Médio de “Understanding International Conflicts: An Introduction to Theory and History “, de Joseph S. Nye Jr., professor de Harvard e ex-assessor de Bill Clinton. Ele faz um breve e interessante resumo dos conflitos na Palestina usando conceitos do direito internacional e da construção das relações entre Estados. Vou poupá-los de contar os fatos, porque os fatos nessa história não importam muito _embora eu recomende fortemente o livro.
O que importa é que a cada fato a favor de Israel ou dos palestinos levanta uma distorção como consequência. Um ou outro lado vai remoer reminescências ainda mais distantes para justificar sua opinião. São os humanistas de ocasião, as pessoas que transformam tudo em cavalo de batalha. As pessoas que não estão interessadas em ser justas ou certas. Elas raciocinam apenas na base da tática ou da estratégia. Elas não criticam o governo Bush porque isso fortalece seus adversários internos. Elas não criticam as execuções em Cuba porque isso fortalece os EUA. Elas não protestam contra a China, os massacres em Darfur, o Irã, Guantánamo. Elas estão todas do mesmo lado. São como polos de uma mesma pilha, que se afastam quando estão muito próximas, mas estão exatamente no mesmo polo.
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