The Pompéia Times

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Obama, Lula e Eymael

Outubro 30, 2008 · 2 Comentários

A “The Economist” publicou um texto sobre os “Obamacons”, os conservadores pró-Obama. Concordo com boa parte do teor do artigo. Ele aponta a convergência de Obama com várias alas do Partido Republicano, especialmente as que se recusam a aceitar que a melhor forma de alcançar a paz é aumentar o poder militar, em vez da boa diplomacia, e aquelas que acreditam que o Estado deve ter um papel mais modesto na economia (mr. Bush jogou o déficit lá para cima). São os sujeitos que nunca se sentiram muito à vontade nos anos Bush, mas não tinham uma opção democrata “confiável”.

Além disso, alguns deles acham, como eu, que Deus é importante demais para ser usado por políticos demagogos, como já adiantou Moisés nos dez mandamentos. Ou seja: são a favor da união civil de pessoas do mesmo sexo e acham que o aborto deve ser descriminalizado, por exemplo. O Estado não tem de se meter nesses assuntos. O melhor juiz é a consciência individual. Quanto menos o Estado se meter nas nossas escolhas, melhor. Porque certamente, nesse caso, não é a “moralidade” do Estado que está em jogo. São as pessoas que querem impor suas crenças por meio do Estado e blasfemam.

Basta ver o número de babetas da extrema-direita dos EUA que pintam uma imagem de Deus bem próxima da erguida pelos fundamentalistas muçulmanos: um juiz implacável no seu desejo de punir. Desculpe, não sei qual edição do Novo Testamento eles leram. Talvez a editada pelos mesmos imbecis que criaram os “Protocolos dos Sábios de Sião”, texto que acusava os judeus por todos os males do mundo (uma das republicanas que causam ojeriza nesses “obamacons” é Ann Coulter, que já afirmou, aqui, que os judeus devem ser aperfeiçoados e virar cristãos _uma imbecil de tendências antisemitas). Obama tem essa vantagem. Raça e etnia não fazem parte do discurso dele. É uma mudança e tanto em um país que tem parte da elite que se autodenomina wasp (white, anglo-saxan, protestant).

O artigo não faz essa inferência, mas as semelhanças entre Obama e Lula ficam ainda mais nítidas, no lado positivo. As diferenças também, mas sobre essas não me arrisco a dizer. Tempos de crise invertem tudo, e o que teve de gente defendendo a intervenção do Estado na economia… Enfim. O texto me firmou uma certeza: tanto Lula quanto Obama são sujeitos pragmáticos que parecem seguir a cartilha da democracia cristão italiana que, durante os anos 70, flertou com o Partido Comunista Italiano (nada a ver com o Eymael, do nosso PSDC). Acreditam que a família tem um papel importante na sociedade e são a favor da expansão dos direitos individuais, com ênfase nas soluções multilaterais para a manutenção da paz no planeta. Lembram o Aldo Moro. Saiba mais sobre o assunto aqui.

Ainda acho que as expectativas sobre Obama, que é pintado em tons de “Novo Messias”, são constrangedoras de tão ingênuas. Mas McCain, um republicano respeitável que comprometeu parte da sua biografia ao embarcar no trenó de Sarah Palin, deixou de ser uma opção, qualquer opção. 

O texto da “The Economist” está aqui.

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Obama e Celso Pitta, Sarah Palin e Margareth Tatcher

Setembro 6, 2008 · 2 Comentários

A eleição de Celso Pitta para a prefeitura de São Paulo foi uma jogada de mestre de Paulo Maluf até o dia da posse. Emparedou a esquerda com um candidato negro, a direita com o secretário de finanças e o partido inteiro com um suposto fantoche. La garantia era o Malufão, que depois se soube, não garantia nada.

Vou me ater ao argumento principal do “pai” de Pitta, que o repetiu em entrevista ao portal de internet onde trabalho. Maluf disse, com todas as letras, que seu apoio a Pitta era uma maneira de mostrar que não era racista. Isso é algo recorrente no Brasil e fora daqui. Ter de mostrar que não se é alguma coisa: não é racista, não é machista, não é homofóbico, não é intolerante.

Geralmente, funciona, e tem uma função importante em um planeta que faz 150 anos aceitava a escravidão negra, o jugo sobre as mulheres e ainda discrimina homossexuais e é palco de conflitos entre adeptos de religiões diferentes. Ajuda a mostrar o quanto essas coisas são tolas.

O problema é que muita gente confunde oposição ao racismo com paternalismo e condescendência. Uma parcela do eleitorado de centro foi de Celso Pitta para mostrar às outras pessoas que aceitaria ter um negro como prefeito. Maluf, claro, sabia disso. Naquelas eleições de 1996, a disputa ficou entre Luiza Erundina, do PT e nordestina, e Celso Pitta, do PPB, negro e carioca.

A adesão a Obama e a condenação a qualquer crítica ao candidato parte do mesmo princípio. Em alguns meios, criticar Obama é logo encarado como racismo derivado. A esquerda ficou atônita em 1996, tendo Pitta como candidato. Como criticar um negro? Deu no que deu, não houve crítica nenhuma e o sujeito que protagonizou uma enxurrada de escândalos, no governo, foi eleito. 

De alguma maneira, a mesma coisa está acontecendo com a vice de McCain, Sarah Palin. Criticá-la é ser “contra” as mulheres na política. Nos EUA, ela já  é comparada ao fenômeno… Obama E agora? Como respondem os democratas? É a ditadura das minorias, a qual certas pessoas muito espertas estão bastante atentas.

Ou por que será que muitos banqueiros e a galera da Universidade de Chicago embarcaram na candidatura de Obama? Só para constar: Universidade de Chicago é aquela que forneceu toda a tigrada do Ministério da Economia do governo Pinochet no Chile e formou boa parte dos economistas que trabalharam no governo Fernando Henrique e são execrados pela esquerda. Ou por que McCain, do Partido Republicano, escolheu uma mulher, jovem, e de um Estado que tem mais renas do que pessoas?

Obama tem de ser julgado pelas suas propostas, não pela cor da pele. McCain tem de ser avaliado não porque escolheu uma mulher para ser sua vice. Esse jogo é muito perigoso.  As minorias não são inimputáveis. Tem intenções, projetos políticos e sabem usar sua suposta desvantagem a favor de si mesmas. Como homens, brancos, nas condições que estão colocadas para eles, também. Não é o jogo dos mocinhos-minoria contra os bandidos-maioria.

Obama parece ter pouco em comum com Celso Pitta. Mas parte da sua onda é a mesma que elegeu Pitta alguns anos atrás na capital paulista. Sobre mulheres duronas: Margareth Tatcher lhe diz alguma coisa?

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Campanhas políticas divertidas

Junho 29, 2008 · Deixe um comentário

As “meninas” de John McCain

E por que São Paulo é Itália que deu certo

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